Não quero nada não, tô só dando uma olhadinha…

Novembro 13, 2009

Take a Chance on Me.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 3:47 pm

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Eu já disse antes e repito, eu gosto da idéia de segundas chances, eu acredito nelas.  Já disse isso tanto que ontem, ontem eu me “desdisse”. Só hoje de manhã, revendo mentalmente a situação eu me toquei. Veja bem, eu me orgulhei por ter dito e mantido minha opinião sobre uma miríade de coisas, mas acho que houve uma situação em particular em que eu fui injusta. Estavamos falando de uma pessoa X e no final, surgiu a comparação com uma pessoa Y. Ambas têm problemas, ou pelo menos tinham. Na minha opinião X mais que Y. Em termos de caráter, no entando, Y deixou mais a desejar que X, admito.

O problema é tanto X quanto Y tiveram essas pisadas de bola há anos atrás. Então, por que não dar uma outra chance? Digo, pessoas mudam, nem sempre pra melhor, mas mudam. Eu acredito que eu mesma fui várias, muitas e diversas vezes agraciada com o bônus da segunda chance então, por que não considerar essa possibilidade também? Existe um ramo da psicologia chamado Psicologia Evolucionista e que basicamente usa o conceito da evolução Darwiniana na psicologia, diz que a nossa cognição acompanhou o processo evolutivo e que vamos adaptando nossos pensamentos de modo que eles sejam mais funcionais diante novas situações, ou até situações que já se apresentaram antes mas, a característica flexível da nossa cognição faz com que ela esteja constantemente buscando novas estratégias para a resolução de problemas, de forma mais simples, selecionamos os esquemas que funcionam e os que não funcionam.  Essa é uma explicação científica – e boa o bastante pra mim – quando se trata de novas chances. Acreditar que o processo congitivo de TODOS os seres humanos seja flexível e aberto à mudança e substituição de crenças e comportamentos é a esperança da humanidade. E claro, sempre existe a possibilidade de dar errado, de nada ter mudado mas, como saber?

Só se sabe fazendo. É como aquela história de ler novamente aquele livro que te marcou aos 13 anos. Aí com 25 você o lê de novo e descobre que não era nada demais, você não consegue nem lembrar o que esse livro tinha de tão bom afinal.Não se já aconteceu o inverso, você ler de novo o livro e amar, mas vai saber? Você precisa ler o livro de novo. O meu erro foi achar que a minha escolha de dar uma chance à Y fosse diferente da escolha da outra pessoa de dar chance à X. Eu espero que as pessoas continuem a me dar uma segunda chance sempre que possível.

Acho que, na hora, o que me fez considerar Y e as segundas chances foi a sinceridade. Dizer exatamente por quê e sob quais circunstâncias estava voltando a manter contato. Respeito isso… o que me irrita é quem pára de  falar comigo, do nada, sem razão aparentente e não me diz o que aconteceu, não procura resolver… e dalí em diante it snowballs. Assim como eu não gosto de alguém que não falava comigo e, de repente, resolve se chegar mas não diz porquê, e não tem pretensão alguma de dizer o motivo pelo qual sumiu e o motivo pelo qual voltou. Eu gosto das coisas claras e ultimamente tenho me esforçado muito para retribuir essa preferência.

O que eu não levei em consideração, no calor da discussão, é que X pode ter feito com a outra pessoa o que Y fez comigo, foi sincero. Temos opiniões divergentes à respeito das pessoas mas, ainda bem! Não existe aquela história do ” o que seria do azul se não fosse o amarelo”? Podemos estar errados em dar segundas chances? Claro, sempre. Mas eu particularmente ando muito fã do conceito de “fiz o melhor que pude”, o melhor não precisa ser algo extraordinário, inesperadamente criativo e feito com perfeição cirurgica. É fazer as coisas que você acha que deve e como pode. Nesse aspecto, acho que fazer o melhor possível é dar chances. E tudo bem ser do contra, é no discordar que a gente aprende, com os argumentos dos outros provocando os nossos. Então,  repensei o momento, re-elaborei a situação e concluí que, o importante mesmo no fim das contar não é X ou Y ou Z mas a capacidade de percepção e compreensão sua e dos que te cercam, caso você esteja certo ou errado.

Novembro 10, 2009

Dissonância Cognitiva

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 1:20 am

Redescobri o quanto eu gosto de estudar e, encontrei isso:

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Criada a partir dos experimentos e observações do psicólogo social Leon Festinger, a dissonância cognitiva é uma teoria social que afirma ser psicologicamente desconfortável manter pensamentos contraditórios. De acordo com ela,  dissonância, por ser desagradável, leva a pessoa a substituir seu pensamento, atitude ou comportamento. Festinger diz que:

Dissonância e consonância são relações entre cognições, ou seja, entre opiniões, crenças, conhecimentos sobre o ambiente e conhecimentos sobre as próprias ações e sentimentos. Duas opiniões, ou crenças, ou itens de conhecimento são dissonantes entre si quando não se encaixam um com o outro, isto é, são incompatíveis. Ou quando, considerando-se apenas os dois itens especificamente, um não decorrer do outro (Festinger 1956: 25).

Festinger diz que existem três maneiras de lidar com a dissonância cognitiva, não considerando-os mutuamente exclusivos.

  1. Pode-se tentar substituir uma ou mais crenças, opiniões ou comportamentos envolvidos na dissonância;
  2. Pode-se tentar adquirir novas informações ou crenças que irão aumentar a consonância existente, fazendo assim com que a dissonância total seja reduzida;
  3. Pode-se tentar esquecer ou reduzir a importância daquelas cognições que mantêm um relacionamento dissonante (Festinger 1956: 25-26).

Por exemplo, as pessoas que fumam sabem que fumar é um mau hábito. Algumas justificam seu comportamento olhando para o lado bom: dizem a si mesmas que fumar ajuda-as a manter o peso e que o excesso de peso representaria um perigo maior para a saúde do que o fumo. Outras param de fumar. A maioria de nós é inteligente o bastante para inventar hipóteses ou justificativas para validar aquilo em que acreditamos. O fato de sermos levados a racionalizar por estarmos tentando reduzir ou eliminar a dissonância cognitiva não explica por que não podemos aplicar essa inteligência de uma forma mais competente. Pessoas diferentes lidam com o desconforto psicológico de formas diferentes. Algumas dessas formas são claramente mais razoáveis que outras.

A dissonância cognitiva já foi chamada de “o melhor amigo do controlador de mentes” (Levine 2003: 202). Assim mesmo, um exame superficial revela que não é ela, mas sim a forma como as pessoas lidam com ela, que seria objeto do interesse de um indivíduo que tentasse controlar os outros quando as evidências parecessem estar contra ele.

O exemplo clássico de Festinger é o de Marian Keech,  líder de uma seita OVNI nos anos 50, ela dizia  receber mensagens de alienígenas conhecidos como” Os Guardiães” por meio de mensagens psicografadas . Assim  como aquele pessoal do Heaven’s Gate nos anos 90,  Keech e seus seguidores, conhecidos como “Os Buscadores da Irmandade dos Sete Raios” (interessante como o nome da seita não foi o suficiente pra suspeitar que havia algo errado ali), esperavam ser recolhidos por discos. Segundo as profecias de Keech, seu grupo de 11 pessoas seria salvo pouco antes que a Terra fosse destruída por um dilúvio maciço em 21 de dezembro de 1954 (olha, como 21 de dezembro de 2012, de acordo com o calendário maia). Quando ficou óbio nem dilúvio e nem alienigenas em naves espaciais dariam o ar da graça,Keech tremeu na base e, de repente, disse ter recebido uma nova mensagem, por telepatia onde os Guardiões diziam que ela e seus seguidores haviam irradiado tanta luz com sua fé inabalável que deus havia poupado o mundo do cataclismo. ¬¬

O que impressiona mesmo não é nem tanto os ETs terem dado o cano mas, que os fiéis não só não a abandonaram como tornaram-se ainda mais devotos e estavam ainda mais convencidos que Keech sabia do que estava falando. “A maioria dos discípulos não só permaneceu como, após tomar essa decisão, estavam então ainda mais convencidos que antes de que Keech estava certa o tempo todo…. O fato de estarem errados os transformou em crentes fanáticos. (Levine, 2003)

Os Buscadores não teriam esperado pelo disco voador se considerassem a possibilidade de ele não aparecer então, quando ele não apareceu, era de se esperar que alguém usasse o raciocínio lógico e o bom senso e refutasse as alegações de Keech.  No entanto, os maus pensadores foram feitos incompetentes pela devoção a Keech. Sua crença de que um disco voador os apanharia era baseada em fé e não em evidências. Da mesma forma, a crença de que o fracasso da profecia não deveria ser levado em conta contra suas crenças foi mais um ato de fé. Com esse tipo de pensamento irracional, poderia parecer inútil apresentar evidências para tentar convencer as pessoas de seus erros. Sua crença não é baseada em evidências, mas na devoção a alguém. Essa devoção pode ser tão grande que mesmo o mais condenável comportamento de um profeta pode ser racionalizado. Há muitos exemplos de pessoas tão devotas a alguém que poderiam racionalizar ou ignorar abusos físicos e mentais extremos de seu líder de seita (ou cônjuge, ou namorado). Se a base da crença de uma pessoa é fé irracional, fundamentada na devoção a uma personalidade poderosa, a única opção que essa pessoa tem ao ser confrontada com evidências que poderiam minar sua fé seria continuar a ser irracional, a não ser que essa fé não fosse mesmo tão grande. A questão interessante, então, não é de dissonância cognitiva e sim de fé. O que havia em Keech que teria levado algumas pessoas a terem fé em sua pessoa, e o que havia nessas pessoas que as teria tornado vulneráveis a Keech? E havia duas pessoas que optaram por deixar a seita depois que o disco não veio, no que elas diferem das outra?

“Pesquisas mostram que há três características relacionadas à capacidade de persuasão: a atratividade, a honestidade e a autoridade percebida” (ibid. 31). Assim, se uma pessoa é fisicamente atraente, tendemos a gostar dela. E quanto mais gostamos dessa pessoa, mais tendemos a confiar nela (ibid. 57). As pesquisas também mostram que “percebem-se as pessoas como mais confiáveis quando fazem contato com os olhos e falam com confiança, não importa o que tenham a dizer” (ibid. 33).

Segundo Robert Levine, “os estudos encontraram uma surpreendentemente falta de traços em comum nos tipos de personalidade das pessoas que se unem a seitas: não há um tipo único de personalidade propenso ao culto” (ibid. 144). Esse fato surpreendeu Levine. Quando começou sua investigação sobre as seitas, “compartilhava o estereótipo comum de que a maioria dos adeptos era composta de desajustados psicológicos ou fanáticos religiosos” (ibid. 81). O que descobriu, porém, foi que a maioria dos membros de seitas era atraída pelo que parecia ser uma comunidade amorosa. “Uma das ironias sobre as seitas é que os grupos mais extravagantes são freqüentemente compostos pelas pessoas que mais se importam com as outras (ibid. 83).” Levine diz que o líder de seita Jim Jones era “um super-vendedor que exercia todas as regras da persuasão” (ibid. 213). Possuía autoridade, honestidade aparente e atratividade. É provável que o mesmo pudesse ser dito sobre Marian Keech. Também parece provável que muitos dos seguidores de seitas tenham encontrado nelas uma família substituta, ou no líder da seita uma mãe ou pai substituto.

É importante lembrar também que, na maioria dos casos, as pessoas não chegaram a suas crenças irracionais da noite para o dia, mas sim ao longo de um período de tempo, com crescimento gradual do comprometimento (ibid. cap. 7). Ninguém entraria para uma seita se o tom do convite fosse: “Siga-me. Beba esse Kool-Aid envenenado e cometa suicídio.” Mesmo assim, nem todos na seita beberam o veneno e dois dos seguidores de Keech abandonaram a seita quando a profecia falhou. Em que eles diferiam dos outros? A explicação parece simples: a fé que tinham no líder era fraca. Segundo Festinger, os dois que abandonaram Keech — Kurt Freund e Arthur Bergen — já eram pouco comprometidos desde o início (Festinger 1956: 208).

Tirei um pouco daqui e ainda tem mais lá: http://www.skepdic.com/brazil/dissonancia.html

Outubro 19, 2009

Have A Little Faith In Me (post temático).

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 1:18 am

Para ler com: Iron and Wine ** Passing Afternoon.
Antes de mais nada, gostaria de iniciar dizendo que respeito a fé, as crenças e a opinião dos outros e que essa aqui é a minha interpretação e visão de certos fatos.

Agora sim, acho que todos nós passamos por experiências que nos definem e em especial, que definem nossa fé. A grande parte das pessoas relata momentos em que renovou, recuperou ou aumentou a fé que tinha em sua religião, em Deus, enfim… comigo foi o oposto, lembro dos momentos que foram me fazendo perder a fé e depois, remontá-la, digamos assim.

Primeiro era a questão da Igreja. Meus pais me forçavam, por diversos domingos a ir com eles à missa, aqui na igreja matriz. Existem poucas coisas que eu odeio, essa era (e é uma delas). Um ambiente com pessoas dispersas, crianças gritando e chorando, pessoas bocejando ou com cara de culpa, de tristeza, de tédio… pessoas conversando, fofocando, invejando, enfim. Tudo me parecia mais óbvio, mais chato e mais demorado na missa. Aquela pessoa fantasiada no centro falava, falava e eu querendo ir brincar no chafariz onde as pessoas jogavam moedinhas pra nossa Sra. Aí eu entrei na 5a série e conseguir justificar minhas opiniões sobre ir à missa com as coisas horríveis que eu aprendi nas aulas de história… A Idade Média, Inquisição, Index e todas aquelas coisas inacreditáveis, até hoje eu acredito mesmo que ninguém mais percebeu aquilo da forma assustadora que eu percebi.  Daí em diante todas as minhas obrigações cristãs (tipo catequese, comunhão…) foram longas e um tanto dolorosas. Mas me orgulho de não ter sido uma daquelas pré-adolescentes que pensava ter descoberto a América e querer ensinar a “Verdade ” que eu havia descoberto  – que tudo aquilo era uma palhaçada. Sempre respeitei, entendi que aquilo era algo sem saída pra mim e cumpri a minha obrigação (porque é o que era.) Depois disso larguei mão, não dei mais bola.

Com o tempo, reparei que eu cultivava um ritual interessante: eu só rezava quando a coisa apertava, como na noite anterior à prova de recuperação e quando eu havia feito algo idiota e não queria sofrer a retalhação. E, como eu sempre me dava bem no final, acho que parte de mim achava que era mais sorte que juízo, ou mais divino que estudo. Até que o dia chegou em que eu não fui atendida. O ano 2000 foi o pior de todos pra mim. Crises com amigos, meu primeiro grande amor resolveu me deixar e eu não sabia como lidar… lógico que isso refletiu nos estudos e eu reprovei feio no colégio. No dia anterior ao resultado eu havia praticado o mesmo ritual de todos os anos, conversando horas com O Onsciente, dando explicações, lembrando-o constantemente que ele sabia tudo o que andava me acontecendo e que óbvio, ele me ama e ele vai me ajudar. Não ajudou. Parece idiota mas, a minha fé já frágil, se quebrou. Peguei o boletim, e fui chorando com raiva até a igreja onde eu me abri. Sozinha lá dentro eu falava normalmente, sobre como eu me senti traída, esquecida… Que porra de Deus é esse que me ama e quando eu mais precisei não estava lá? Que porra de Deus onipresente que me esquece aqui? E aí do nada, parecia uma briga de namorados ou de famílias, onde eu dizia umas “verdades” em forma de fatos históricos. Cobrava a atuação dele numa enchente anterior, na 1a e  na 2a guerra, na idade média, que a religião só atrasa a evolução intelectual, civilizatória, social, psicológica das pessoas, que tipo de Deus era esse, egoísta, sádico e egocêntrico é esse? E ainda assim tem milhões e milhões de pessoas que o seguem apesar disso. Como mulher que apanha do marido e volta pra casa…

Depois disso desencantei. Passei a estudar a filosofia da Wicca, onde várias coisas faziam sentido pra mim, como me responsabilizar pelas minhas ações e as reações que elas geram  – tudo o que você faz volta pra você, que as divindades estão nas coisas em si, que tudo deve ser respeitado, observado, ponderado… Acho que extraí o melhor que eu pude com 16 anos. Me fez muito bem naquele momento mas ainda assim, eu tinha uma fobia quase, de ter fé nas coisas, de acreditar nas possibilidades, de confiar em mim ou nos outros. Um medo total de acreditar e de novo me sentir desamparada e desapontada, um medo do escuro terrível e isso, claro, refletiu nas minhas relações com as pessoas… Passei a desconfiar sempre, me sabotar e sabotar as aproximações.

Escolhi explicar a coisa dessa forma porque pra mim, as experiências individuais exemplificam todos aqueles conceitos filosóficos, sociológicos e históricos que me faltam embasamento. Não quero falar do que não sei, mas o pouco que sei é que, acabamos refinando, através dos tempos e por causa de muitos interesses individuais de pessoas poderosas as crenças mais primitivas, utilizadas para explicar o que não se conseguia, tipo a chuva ou um eclipse por exemplo. Seríamos obviamente muito mais civilizados e evoluídos das mais diversas formas se não fosse por todos os anos perdidos na Idade das Trevas onde a Igreja retia todo o conhecimento, mantendo a população limitada, analfabeta e ignorante. Mesmo com o Iluminismo dando uma alavancada, tirando as pessoas da escuridão, penso que o medo, o benefício da dúvida ainda permaneceu muito forte, medo do inferno, culpa, pecado, castigos, punição… e serviram (e ainda servem em certa proporção) como o melhor método de policiamento possível, não há necessidade de fiscalização, porque o auto-monitoramento se encarrega. Meia dúzia de pessoas foram moldando uma imagem de um ser inatingível com poderes incríveis, infalível, perfeito… mas que falta constantemente. Essa história foi passando à diante e deu no que deu.

Hoje eu acredito em mim, tenho uma boa idéia do que me espera (no melhor sentido Dogma) depois que eu me for e tenho noção de que Deus não tem nada a ver com os meus avanços, minhas conquistas, meus méritos assim como meus defeitos, minhas falhas e todas as minhas imperfeições.  Algumas pessoas dizem que é a fé que move o mundo, eu acho que é a esperança. Todo o dia eu acordo com esperança de uma novidade, de mais um paciente, de aprender algo que eu desconhecida, de uma risada gostosa… Acredito que somos movidos à esperança, precisamos acreditar que algo vai acontecer… talvez seja a fé na esperança? Acho também que a idéia de um Deus já é tão automática ao ser humano que pode ser insuportável a idéia de uma vida sem ele, acho que muita gente se toca do óbvio, mas não quer reconhecer porque, reconhecer implica em tomar uma atitude.

Fecho esse texto recomendando os seguintes documentários, não que eles sejam detentores de uma verdade absoluta, que estejam totalmente corretos. Só gosto da idéia de me questionar e talvez vocês queiram fazer o mesmo. Então, do mais light ao mais complexo:  Religulous do apresentador e comediante Bill Maher; The Mindscape of Alan Moore; Zeitgeist (esse acho que pelo menos um de vocês já esperava né?)

Esse post faz parte da iniciativa do blog Postagem Temática :)

Outubro 6, 2009

Something’s changing inside you and don’t you know…

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 9:43 pm

Para ouvir com: Guns n’ Roses – Don’t Cry.

Eu sou muito nostálgica, tenho um apego muito grande ao passado, às lembranças e àquilo que poderia ter sido. Eu não sei como funciona para as outras pessoas mas eu penso muito, demais, todo o tempo e, o principal portal para mim, pra entrar na minha mente e me perder em memórias é por meio da música. Eu nunca saio de casa sem o iPod, assim como eu também nunca saía de casa com meu discman e óbvio, tudo isso começou com um walkman e lá vai história.

Música me transporta e hoje eu já preciso dela para respirar quase. E, ouvindo minha seleção, distraída, eis que toca Don’t Cry. Infelizmente eu não passava de uma pirralha adentrando a pré-adolescência quando eles estavam no super auge. Eu sempre brinco que deve ter sido o melhor momento pra ter sido adolescente, na época do Guns, do Extreme (lembra? More than Words..), do REM, Four Non Blondes, Tears For Fears e a lista vai longe.  Mas eu fiz parte daquele grupo que não queria que isso fosse verdade e ouvíamos Guns como se eles ainda tomassem conta do rádio e da MTV.

Pois bem, Don’t Cry me lembra dos momentos de colégio, de estar apaixonada por alguém o mesmo tanto apaixonado por mim. Me lembra da ilusão de ter controle sobre os sentimentos e de achar que qualquer emoção intensa – especialmente de dor – fosse o fim do mundo, me lembra do tempo que eu pensava que eu não ia conseguir, que eu não daria conta, me lembra das noites perdidas paquerando no mIRC e me cutuca até que eu comece  a querer viajar de volta para 1999, 2000… Me instiga a ficar viajando no que poderia ter sido.

Acho saudável e importante, querer viajar e repensar no que foi e no que poderia ter sido. Claro, tudo o que é demais não pode ser bom mas, são essas jornadas que nos fazem revisar conceitos, ações/reações e comportamos. É como ler um livro que gostamos mais de uma vez depois de muito tempo. Podemos até descobrir  que ele ainda é bom sim, mas que já o achamos muito melhor.

Setembro 23, 2009

Photographs (postagem temática)

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 5:41 pm

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Eu tiro fotos do que eu não sei explicar em palavras. Tiro fotos das coisas que tenho medo de esquecer e de não conseguir remontar na minha memória.

Eu sempre torci para perceber as coisas que ninguem mais percebe, adoro essa sensação de segredo que eu tenho com um estranho qualquer que esbarra num poste ou tropeça na rua. E não é como se eu fosse contar pra alguém porque, não foi interessante pra mais ninguém, só pra mim. Depois que eu descobri a fotografia, esses momentos tornaram-se ainda mais importantes pra mim

Eu sempre curti tirar fotos, a maior parte das vezes me recusei à sair nelasPC280097 mas com o tempo fui deixando. No entanto, o que me encanta em fotografia é uma técnica peculiar chamada street photography, ou fotografia de rua. Basicamente é fotografar pessoas e coisas que acontecem ao seu redor sem que você seja visto ou notado, pra não interferir na espontaneidade do cenário e das pessoas envolvidas. Um dos precursores nessa arte foi  Henri Cartier-Bresson (googlem que vale a pena) Diz a wikipedia lenda que ele costumava envolver a camera num lenço de pano ou até mesmo o corpo dela numa fita preta, para ficar quase despercebido entre a multidão e então disparar seus cliques. Quando eu descobri isso, achei fantastico. Posso ter, num arquivo real e palpável (e que posso resgatar à qualquer hora) um momento e não uma pose. Uma situação espontânea e não uma forjada.

Quando me dei conta de que isso era uma técnica e que já havia um P1030221punhado de gente fazendo, eu já tinha me aventurado e comprado uma máquina cheeeiia de features e trequinhos e truques de imagem e pra qualquer lugar que eu olhava, eu via um clique em potencial, uma imagem ou paisagem ou momento – dos outros – que eu queria guardar pra mim. Não sei, uma foto assim, sem planejar nada, sem forçar um sorriso é tão mais bonita, tão mais cheia de significado…A partir do momento que eu percebi e captei a imagem de um momento alheio, passa a ser meu também.

A fotografia me deu um hobbie, há muito tempo que eu não tinha algo só meu que eu amasse fazer. Confesso, não entendo de ténica, de iluminação e muito pouco de figura/fundo, não sei aplicar 80% dos recursos da minha máquina ( o que eu sei que deve soar como uma heresia para alguns) e, minhas fotos mais bonitas foram tiradas com uma digital qualquer. Talvez técnica seja bastante, mas não seja tudo.  E, me faz pensar… não é assim com quase tudo na vida? Sem empatia, por exemplo,P1020052 sobra à maioria das profissões a técnica, pura, fria e somente. Seguir a receita de um bolo mas não ter um cuidado especial com a temperatura e o tempo de forno, é aumentar o número de chances de que algo dê errado…

Como outras diversas formas de arte, a fotografia tem um jeito especial de criar épicos e histórias inteiras, diante de uma imagem. Pode trazer à tona uma série de lembranças, sentimentos, pensamentos que à primeira vista seriam só meramente relacionados. O mais lindo da fotografia, no entanto, é que é o único instrumento que tem a capacidade de capturar uma fração de segundo e transforma-lo em eterno. Por isso só, sendo a foto feia ou bonita, estão ou não borrada ou mal enquadrada ou mal iluminada, contém algo que aconteceu e não volta mais.

Acho que não me resta mais nada à fazer do que calar a boca e confirmar o que eu escrevi com imagens.

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***Fotos tiradas por mim.

Post que faz parte da iniciativa deste blog: http://blogsintonizados.blogspot.com/

Setembro 19, 2009

Some might say we will find a brighter day.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 1:45 am

Pra ler com: Tori Amos – Bells For Her

24 - Relationships

Hoje perdi a cabeça. E não foi nem com a minha irmã, o que foi o mais chocante. Depois da faculdade eu me tornei uma pessoa muito “sabidinha” (o que eu imagino que depois de um certo tempo deve ser irritante) das coisas da terra, do céu e do mar. Mas eu me orgulho disso, e muito.

Talvez eu me orgulhe tanto que ficou difícil de ter paciência com as pessoas que estão passando pelo o que eu já passei, tendo dificuldade de sair de situações, de relacionamentos… Exatamente como eu tive dificuldade, sentindo a mesma culpa que não era minha, uma necessidade de consertar algo que não tinha conserto, assumindo responsabilidades que não eram minhas… Me sentindo o pior dos seres humanos, um monstro insensível disprovido de empatia ou tato.

Perdi o controle, momentâneamente, ao telefone, repetindo pela milésima vez algo que pra mim é óbvio, mas que não era há uns anos atrás. Fiquei me perguntando, será que eu finalmente tornei-me insensível, impaciente, intolerante?Mas acho que não, acho que por já ter resolvido essa questão, por ter estabelecido limites pra certas coisas, não deixaria mais que certas coisas acontecessem. Hoje eu consigo imaginar o que meus amigos passaram há uns 3 ou 4 anos atrás, quando eu pedia por uma ajuda impossível.  Fiquei pensando também se, no fim das contas, todo mundo precisa de uma espécie de provação amorosa em relacionamentos…

Quando estamos apaixonados nada mais importa, quando temos a sorte de nos apaixonarmos por alguém estável, maduro, bem-resolvido, não sei se isso importa muito. Com o tempo, os amigos entendem que casais precisam de espaço e que se priorizam mas, depois de um tempo voltam para o grupo ou até nem voltam, mas não existe cobrança ou mágoa ou picuinhas.. O problema, no entanto, ao que me parece, é que hoje é mais fácil entrar num relacionamento ruim do que num bom.

Num relacionamento ruim, entramos com expectativas boas, lógico… nem sempre a gente têm como saber o que esperar, na maior parte das vezes a gente até sabe, mas não quer acreditar, quer pagar pra ver e, francamente, eu não sei até onde eu sou contra isso. Conheci pessoas que mudaram completamente num relacionamento, pra melhor e pra pior, mas foi isso que as motivou.  Só que depois que você se apaixona, eu não sei… níveis de ocitocina, feromônio e dopamina altos demais fazem você confiar e criar laços afetivos com qualquer coisa, really. E eu não posso julgar ou recriminar porque eu já fui assim.

Existe outro fator também que eu preciso levar em consideração. O primeiro amor, a gente se apega mais. Não importa o quão canalha, o quão escroto, o quão psicopata… você ama, e cuida, e se presta aos caprichos…. mais do que qualquer outro, acho. Mas hoje pensei numa hipótese que pode não significar porra alguma, mas ainda assim…

O dia que eu finalmente coloquei um fim no abuso verbal, psicológico… foi o dia que eu me desapaixonei por ele e me apaixonei por mim mes fama (#brega) mas é verdade. A gente pensa que isso é coisa de livro de auto-ajuda, de psicólogo… mas não é.  Teve um momento que eu lembro, em que eu tinha medo de terminar o namoro por simplesmente não saber o que fazer num fim de semana, por medo da solidão, ou seja, eu tinha medo de ficar sozinha comigo mesma, eu não me curtia. E, depois de muita terapia, de muito “tapa” na cara.. eu me mexi, fui procurar as coisas que eu gostava, as coisas que eu queria fazer. Aprendi que “ter que”  e “preciso” e “devo” não tem nada a ver comigo, são coisas de fora, que os outros queriam de mim. Por mais absurdo que isso seja, eu demorei demais pra entender que eu venho primeiro , e não no sentido egóico da palavra, mas mais uma coisa de respeito próprio.

Eu não sei se pessoas não querem enxergar. Acho que existe um estágio onde elas sabem o que acontece, mas não conseguem. Esse medo da solidão, de ter feito algo errado, as impedem, essa isso que eu sentia quando eu não conseguia colocar fim ou limites em coisas que eu não precisava passar/ouvir/sentir.

A partir do momento que eu descobri que eu não precisava fazer o que eu não queria, foi assim.. a descoberta da América (beeem 1999 essa) pra mim, e foi o que mudou tudo. E eu acho que quando isso acontece, quando a gente descobre isso, a gente decide melhor, escolhe melhor e tem bem menos chances de cair em frias, como namoros/amizades possessivos(as), namorados/amigos manipuladores… Basicamente, quando você entender que pode viver sem tal pessoa, só não quer. Eu realmente não sei dizer – ainda – se a gente tem esse controle todo, essa percepção toda sempre, até porque, se tivéssemos, seríamos regidos só por comportamentos/ações/reações sem sentimento algum e isso, impossível. (A não ser que você tenha um transtorno anti-social)

E, eu não lembro da última vez que me incomodou tanto não poder fazer alguém ver o óbvio. Não me entendam mal, eu sei que não é direito de ninguém, meter a colher onde não é chamado, mas eu fui chamada… e não adianta. Já me senti menos frustrada, mas hoje, especialmente hoje…

Setembro 8, 2009

Tweets – Postagem Tematica

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 10:42 pm

twitter

Eu lembro que há uns 17 anos atrás eu descobri o atari e essa foi a minha perdição, minha paixão por coisinhas voltadas para o entreterimento. Do atari, foi pro Mega Drive, dele pro Super Nintendo e aí brochei. Não saía do lugar no Mortal Kombat e aquilo me incomodava ao ponto de me tirar o sono. Como assim. COMO ASSIM eu competidora quase profissional, que ganhou um prêmio de 50 reais fechando o  Street Fighter com a Chun-Li (pressionada por uma platéia adolescente com hormônios transbordando, querendo ver o fim do jogo quando a mesma toma um banho de banheira – super apropriado pra todas as idades mas, pra gente naquela época né…).

O próximo passo lógico, óbvio, seria um computador. Eu lembro de ir pro escritório do meu pai só pra passar horas digitando meu nome e coisas sem sentido e sem propósito naquela tela negra fantástica, que me mostrava – à medida que eu digitava – palavras em tons de laranja. Me encantava tanto quanto a melodia inconfundível da impressora matricial que tinha lá, imprimindo banners e o meu nome inúmeras vezes.

Depois que descobri que o computador tinha utilidades mais legais ainda, imagino que isso tenha sido uns 4 anos depois, aí mesmo, me entreguei. Na casa da minha prima descobri um computador igual àquele do escritório do meu pai, exceto que esse tinha a tela colorida, era um 386 potente que tinh algo ainda mais mágico, o mIRC. A minha história com o mirc já apareceu aqui antes, não preciso explicar. Efim, não lembro em qual momento o mirc simplesmente começou a definhar e o MSN tomou conta. Mas eu lembro do frenezi que o Orkut causou quando apareceu, na época em que você só podia ter Orkut se alguém lhe convidasse, infelizmente eu tenho orgulho de dizer que eu faço parte dessa leva de convidados.  Mas, ao contrário dos meus outros vícios relacionados à gadjets voltadas para o lazer, como o orkut e as demais redes sociais desse tipo nunca me fizeram ficar aficcionada, o que no começo me impressionava.

Eu tenho Facebook há pelo menos uns 3 anos, muito antes da maioria das pessoas daqui. Lá já tinha naquela época esse sistema do Twitter, onde eu falo o que eu estou fazendo ou pensando ou algo assim. Pra mim era mais uma obrigação que uma vontade deixar aquela área preenchida. A diferença do Facebook naquela época eram as celebridades que tinham conta lá, a diferença que você não podia simplesmente ser amigo dela, nem pedir amizade, ela te convida se quiser e pronto, era uma coisa one way assim.  Hoje não, hoje já é como o orkut.

O twitter é o que sobrou das redes sociais. Me chame de antiquada mas, se eu quiser saber onde você foi hoje à tarde, quanto custou tal coisa, o quanto você ama sua namorada… eu te ligo. Existe uma série de encantos porém, eu admito que adoro poder saber que celebridades fazem as mesmas coisas que nós. Não adoro a Carolina Dieckman mas é estranho ver ela falando sobre coisas parecidas com que eu falo, por exemplo. É super legal poder saber que a Yoko Ono estava no mesmo site que eu há 10 minutos atrás e que a própria Oprah avisou todos os seguidores qual vai ser o próximo livro do clube no programa dela. Mas é só. Eu gosto de seguir uma ou outra revista de fofoca, BBC, NYTimes… gosto de quem comenta uma notícia ou deixa um link interessante mas, contar pra mim e pra mais 50 pessoas que você acabou de jantar espaguete ao sugo… não interessa.

Me pergunto então se o excesso de acesso à vida do outro pode estar ficando desinteressante para ambos os lados. Eu não me preocupo mais em escolher algo interessante pra contar e os outros já estão cansados de ouvir então qualquer informação parece banal e com tempo de validade menor do já tinha. Eu me orgulho de dizer que nunca espionei orkut ou fiz fake ou tive acessos de dependência cibernética – de ter que twittar ha cada 2 minutos ou checar o orkut de fulano pra ver com quem ele fala ou deixou de falar. Só me resta terminar com uma pergunta, se o Twitter é o próximo passo das redes de relacionamento, o que é que vem depois?

Agosto 26, 2009

If your time to you Is worth savin…

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 3:03 am

Decisions

Alguém me explicou uma vez sobre realidades paralelas. Algo mais ou menos assim: Basicamente, tomamos decisões baseado em escolhas, podemos escolher sempre então, tomamos uma decisão e realmente vivemos aquilo. As realidades paralelas então seriam o curso que nossa vida teria tomado se tivessemos decido algo diferente, se não tivessemos nos casado e tido filhos, se tivessemos feito feito uma faculdade diferente ou se não tivéssemos optado pela carreira acadêmica at all. E até as escolhas que não dependem de nós.  Haveria uma realidade pra cada possibilidade, se eu tivesse nascido loira, se eu tivesse nascido negra, se eu tivesse nascido na Coréia do Sul, na do Norte…

Enfim, a idéia de realidades paralelas me consola às vezes. Gosto de viajar no que “poderia ter sido”. Gosto tanto que me bate uma certa tristeza absurda por não poder ter me divido em mais de uma e poder ter tido o gostinho das realidades que eu abri mão. Não de todas óbvio, até porque fazemos escolhas discriminando o que nos é agradável e útil e o que não é. Mas, todo mundo tem momentos em que as opções diante de si parecem igualmente úteis e agradáveis e precisamos fazer mais esforço na hora de ficar com o que é bom naquele momento mesmo que essa escolha venha do nada na cabeça e você pensa se fez certo, se fez um bom negócio. São em horas como essas que eu gostaria de ser duas, ou mais.  Imagine.. ter duas opções de ser feliz, duas opções de ser realizada (o) profissionalmente ou na vida amorosa…

Eu detesto escolhas por excelência. Do princípio, da origem delas ao processo de seleção, dos prós e contras até a decisão. Pra mim, a palavra decisão tem um peso tão grande às vezes, tudo bem, é fato que na maior parte do tempo podemos arcar com as escolhas, digo… admito que a Bíblia tem razão às vezes e ninguem tem um fardo que não possa carregar hmmm, pensando bem, não é bem assim também, mas enfim. Geralmente damos conta. Eu tenho tido orgulho de algumas decisões que eu tenho tomado, que me fizeram melhor, mais feliz comigo e isso é ótimo. Digo sem titubear que não voltaria atrás. Hoje em dia só existe uma decisão que eu realmente não sei tomar. A escolha mais difícil que eu já tive que pensar em fazer que, em momentos, parece imprescindível que eu a faça. Mas, da mesma forma, isso não sou só eu né.

Mas eu fico pensando… O que eu mais detesto nas decisões é a impressão que elas causam de que não podemos voltar atrás ou simplesmente mudar de idéia. Verdade que nem todo mundo pensa assim, admiro os cucas-frescas que estão tudo bem em “desdecidir”, “desgostar” e simplesmente não querer mais ou voltar atrás. Só recentemente – sim, eu sei – eu reparei que eu posso ir e vir como eu quiser. Também posso querer e des-querer. Ainda estou me acostumando com essa liberdade, com esse direito na verdade, que às vezes a pressão em cima de algo é colocada por nós mesmos mas, “tenho” e “devo” não é o mesmo que “quero” ou “estou afim de”. Ter e dever não são coisas nossas, são pressões externas que, dentro das devidas proporções fazem sentido mas, quando se trata exclusivamente de você e da sua vida, não contam, você não “tem” que fazer nada, você precisa “querer” fazer algo. Mas tudo isso na minha cabeça ainda anda em fase de construção.

Enfim, é nessas horas que eu queria poder cruzar dessa realidade para a outra, só pra ter um gostinho do que eu poderia esperar, o que está por vir e se realmente está.

The line it is drawn
The curse it is cast
The slow one now
Will later be fast
As the present now
Will later be past
The order is
Rapidly fadin.
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin
.

Agosto 18, 2009

Madrugada – Postagem Temática.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 7:34 pm

homerposter

Antes de mais nada… fiquei chocada ao constatar que meu último post havia sido uma postagem temática já. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, preciso prestar mais atenção nisso daqui.

Enfim, madrugadas… Amo. As minhas melhores recordações da faculdade incluem madrugadas, as melhores conversas, as situações inusitadas. Minha mãe sempre diz que a parte do dia que ela mais detesta é a manhã, tipo das 7 ao meio dia, porque passa muito rápido e ela não dá conta de fazer nada, “parece que não rende”, diz ela. Eu me sinto assim com a madrugada, porque passa rápido demais… só que pra mim rende. Depois das 23:30 parece que tudo o que eu faço sai melhor. Escrevo melhor, penso melhor. A madrugada é o meu momento particular.

Madrugada me lembra adolescência e meus momentos mais dependentes da internet, quando a extinta NutecNet (provedor ) ainda me fazia de refém.  Lembro da adrenalina de conseguir me conectar sileciosamente depois da meia noite, sim porque como na época a conexão era dial up ainda havia todos aqueles barulhinhos mas, nada disso importava uma vez que a janela do mIRC se abria diante de mim. E melhor, eu não era a única! Foi toda uma geração que passou pela mesma angústia e pela mesma satisfação de perder horas importante de sono – e da vida em geral – fazendo amigos e incomodando pessoas online.  Nessas madrugadas fiz amigos que cultivo até hoje. As madrugadas eram uma pausa da minha realizade naquela época, e durante algum tempo. Pra mim, era até a meia noite que eu era abóbora, depois tudo era festa e sapatinhos de cristal.

Conheci meu primeiro namorado pelo mIRC, o meu primeiro grande evento público foi um IRContro, meus primeiros grandes amigos vieram de lá e o conjunto de tudo isso me fez encontrar vida na madrugada e me sentir menos perdida. Parece que existe um código silencioso nesse horário, tudo é mais. As pessoas estão mais sinceras, ou mais melancólicas, ou bêbadas ou simplesmente super animadas. Parece que a madrugada pede menos cortesias sociais e mais viver pura e simplesmente. Isso era e é fascinante porque,  não só no mundo virtual, digo, a noite em si dá cor às ilusões, das mais simples às mais complexas… lixo vira luxo, vira-lata ganha pedigree, o tímido fica desvairado… Só sair na madrugada e conferir.

Agosto 17, 2009

Das Certezas.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 3:52 pm
"Se fé é uma virtude então a prova é um pecado."

"Se fé é uma virtude então a prova é um pecado."

Eu achava que certeza se construía, sério. Que é normal começar as coisas com dúvida, os grandes passos, o que se desconhece ainda, com incerteza mas com o mínimo de fé.  Fé é isso não? Ter a convicção de que algo seja verdadeiro sem prova alguma de que o seja, apenas pela confiança que temos em algo. A Wikipedia diz “absoluta confiança” mas também não sei, você pode ter simplesmente alguma confiança.

Enfim, fiquei pensando nisso. Cheguei à conclusão que precisamos colocar nossas certezas à prova. Digo, eu acho realmente, acredito mesmo que meu consultório vai dar certo, pode demorar, mas vai dar certo. E o medo, é do desconhecido. Das novidades que eu nunca precisei enfrentar e até aí tudo bem. A prova, nesse caso, seria cada paciente, cada mal entendido, cada conta nova pra pahar, imagino que todos os dias eu vou ter momentos de questionamento, mas porque todos os dias estamos nos perguntando se é isso que queremos, se é o que somos, e tudo bem. Tudo bem porque ainda assim, ainda diante dessa constatação – de que adversidades e dúvidas virão – eu acho que esse é o caminho.

Agora, começo a achar que existem incertezas que nos esforçamos em não aceitar, já tinha comentado isso num outro post, sobre o poder subestimado que o cérebro tem, do ilusionismo, de vermos o que não existe, de querer tanto que o errado seja o certo, de que o feio seja bonito, de que o incerto seja o certo, que é com o que eles se parecem. O esforço depois causa confusão e culpa, tentamos entender porquê as coisas chegaram à esse ponto, o que nos levou à tal conclusão, que tipo de pessoas somos… E aí? Isso é mais uma das nossas auto-sabotagens ou simplesmente uma mudança no rumo?

E mais, quando temos certeza coisas, não protelamos e somos mais pacientes diante do processo, digo, no caso de um negócio, óbvio que queremos pressa, queremos ver resultado e queremos que dê certo logo agora, quando você não sabe bem se é aquilo, não existe uma prioridade, existe um nervosismo de tantas origens que te deixa ansioso e te causa questionamentos que não mudam nada, só atrapalham. Quando a gente não sabe bem o que quer, quer um pouco de tudo e depois não quer mais nada. E aí muda de idéia de novo e de novo…  E eu não sei se estou triste ou feliz por ter chegado à essa conclusão.

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