Eu já disse antes e repito, eu gosto da idéia de segundas chances, eu acredito nelas. Já disse isso tanto que ontem, ontem eu me “desdisse”. Só hoje de manhã, revendo mentalmente a situação eu me toquei. Veja bem, eu me orgulhei por ter dito e mantido minha opinião sobre uma miríade de coisas, mas acho que houve uma situação em particular em que eu fui injusta. Estavamos falando de uma pessoa X e no final, surgiu a comparação com uma pessoa Y. Ambas têm problemas, ou pelo menos tinham. Na minha opinião X mais que Y. Em termos de caráter, no entando, Y deixou mais a desejar que X, admito.
O problema é tanto X quanto Y tiveram essas pisadas de bola há anos atrás. Então, por que não dar uma outra chance? Digo, pessoas mudam, nem sempre pra melhor, mas mudam. Eu acredito que eu mesma fui várias, muitas e diversas vezes agraciada com o bônus da segunda chance então, por que não considerar essa possibilidade também? Existe um ramo da psicologia chamado Psicologia Evolucionista e que basicamente usa o conceito da evolução Darwiniana na psicologia, diz que a nossa cognição acompanhou o processo evolutivo e que vamos adaptando nossos pensamentos de modo que eles sejam mais funcionais diante novas situações, ou até situações que já se apresentaram antes mas, a característica flexível da nossa cognição faz com que ela esteja constantemente buscando novas estratégias para a resolução de problemas, de forma mais simples, selecionamos os esquemas que funcionam e os que não funcionam. Essa é uma explicação científica – e boa o bastante pra mim – quando se trata de novas chances. Acreditar que o processo congitivo de TODOS os seres humanos seja flexível e aberto à mudança e substituição de crenças e comportamentos é a esperança da humanidade. E claro, sempre existe a possibilidade de dar errado, de nada ter mudado mas, como saber?
Só se sabe fazendo. É como aquela história de ler novamente aquele livro que te marcou aos 13 anos. Aí com 25 você o lê de novo e descobre que não era nada demais, você não consegue nem lembrar o que esse livro tinha de tão bom afinal.Não se já aconteceu o inverso, você ler de novo o livro e amar, mas vai saber? Você precisa ler o livro de novo. O meu erro foi achar que a minha escolha de dar uma chance à Y fosse diferente da escolha da outra pessoa de dar chance à X. Eu espero que as pessoas continuem a me dar uma segunda chance sempre que possível.
Acho que, na hora, o que me fez considerar Y e as segundas chances foi a sinceridade. Dizer exatamente por quê e sob quais circunstâncias estava voltando a manter contato. Respeito isso… o que me irrita é quem pára de falar comigo, do nada, sem razão aparentente e não me diz o que aconteceu, não procura resolver… e dalí em diante it snowballs. Assim como eu não gosto de alguém que não falava comigo e, de repente, resolve se chegar mas não diz porquê, e não tem pretensão alguma de dizer o motivo pelo qual sumiu e o motivo pelo qual voltou. Eu gosto das coisas claras e ultimamente tenho me esforçado muito para retribuir essa preferência.
O que eu não levei em consideração, no calor da discussão, é que X pode ter feito com a outra pessoa o que Y fez comigo, foi sincero. Temos opiniões divergentes à respeito das pessoas mas, ainda bem! Não existe aquela história do ” o que seria do azul se não fosse o amarelo”? Podemos estar errados em dar segundas chances? Claro, sempre. Mas eu particularmente ando muito fã do conceito de “fiz o melhor que pude”, o melhor não precisa ser algo extraordinário, inesperadamente criativo e feito com perfeição cirurgica. É fazer as coisas que você acha que deve e como pode. Nesse aspecto, acho que fazer o melhor possível é dar chances. E tudo bem ser do contra, é no discordar que a gente aprende, com os argumentos dos outros provocando os nossos. Então, repensei o momento, re-elaborei a situação e concluí que, o importante mesmo no fim das contar não é X ou Y ou Z mas a capacidade de percepção e compreensão sua e dos que te cercam, caso você esteja certo ou errado.













