“This is my winter song to you.
The storm is coming soon,
it rolls in from the sea ”
Eu fiquei pensando hoje nas coisas que eu mesma falo e não presto atenção. Das coisas que estão escondidas, dos erros que a gente comete com tanta freqüência e que acabam passando de erros pra hábitos.
Fiquei pensando que eu me esforço tanto pra entender, e eu entendo tão pouco. Que todo mundo subestima o poder que o cérebro tem, ignorando coisas que a gente já sabe, coisas que são realmente tão óbvias quanto eu sei que são e, ainda assim, eu não me deixo aprender, ou pelo menos decorar. Que eu também gosto de ver coisas que não existem, dar chute em cachorro morto, morto.
“They say that things just cannot grow
beneath the winter snow,
or so I have been told.”
Eu passei anos, passei horas… tentando entender coisas que não fazem diferença alguma. Dando corda pra situações que já são cheias de buracos e falídas desde que começaram. Dando credibilidade pra quem já demonstrou que não merece alguma. Me propondo a garantir um lugar especial na vida de pessoas medrosas e inseguras, que só arriscam o que não se importam em perder.
Horas de sono perdidas porque eu simplesmente precisava que alguém me dissesse que eu tinha razão, que era isso mesmo que eu pensava e teorizava o tempo todo.
Oscilação de claro e escuro, ora não me importando em perder coisas, ora tendo a certeza que eu iria perde-las, dependendo do que eu decidisse.
Em alguns momentos eu podia jurar que eu tinha “flashfowards“, vendo as minhas possibilidades de futuro, tudo pintado com a tinta de cada escolha. E, mesmo a escolha certa sendo óbvia, tão óbvia que nem precisava de decisão alguma, eu ainda digeria as tais possibilidades… infinitamente.
Eu nunca achei que a falta de fim fosse por qualquer outra razão senão o fato de que eu não tinha uma confirmação. Como podia ter fim se eu não venci ainda??? Eu só quero saber, eu só preciso saber que eu tenho razão.
“They say were buried far,
just like a distant star
I simply cannot hold.”
Eu não sei mais o que é pior… não saber do erro, ou saber dele e não conseguir parar. É a dependência de algo que eu não sei o que é, eu só deixo vir. Não uma coisa ou uma pessoa ou uma situação.. é o que eu faço disso.
São as coisas que eu quero e duas semanas depois não quero mais, os livros que eu só leio até a metade… As empreitadas que eu tenho medo de começar… A ansiedade que gera eu pensar em dar passos no escuro, a raiva que me dá por ter tanto medo, por não ter apanhado mais e aprendido mais… Por não saber sair disso sozinha…
“This is my winter song.
December never felt so wrong,
cause youre not where you belong;
inside my arms.”
Podia ser pior, podia ser como quando eu simplesmente não achava q nada podia ser bom, ou podia melhorar. que eu não me achava bonita ou capaz ou inteligente… Que eu não conseguia separar quais minhas qualidades e quais os meus defeitos…
Mas precisa ser melhor, preciso parar de me colocar em armadilhas.. Nessas sabotagens que nem elaboradas são, só são suficientes pra me causar raiva e sofrimento.
Eu não duvido da minha qualificação quando se trata de lidar com os outros, não duvido da minha capacidade de atender, de auxiliar, de ensinar e supervisionar até. O que me leva a ficar impressionada com a facilidade que eu mesma tenho de me desqualificar, de me ignorar quando eu falo, de ter medo de confiar em mim.
Eu me surpreendo com a facilidade que eu tenho de comprar promessas vazias e confiar em palavras sem valor algum. Como é fácil pra mim trocar certeza, estabilidade por 15, 20 minutos de… clichê, fantasia meia-tigela.. de um mundo de fantasia do camelô… E eu sei que eu não quero esse mundo… Eu não quero o iphone, não preciso do carro ou da casa… Mas eu faço, ainda assim.
E aí eu me vejo forçada a convocar o freudiano que restou em mim e considerar que talvez o problema não está no que eu queira ou não ter, mas o que fazer com o que eu já tenho. Sabe aquilo de… eu prefiro fazer dar errado do que ser pêga de surpresa? O medo que acabe faz com que você termine tudo de uma vez primeiro. O medo de ter tomado uma decisão errada, de não dar conta, de não merecer, de não saber lidar… Talvez medo da decepção, de ser enganada ou traída ou de ter depositado qualquer tipo de investimento… Pra algumas pessoas é assim mesmo.
“I still believe in summer days.
The seasons always change
and life will find a way.”
Quando a gente nunca ouviu falar de certas coisas, é como se elas nunca tivessem existido. Eu me sinto assim às vezes, afinal eu só faço o que eu tenho disponível no repertório.
Eu não quero mais ser assim. Eu quero aprender a colocar minha mão no fogo, ter convicção nas coisas, nos sentimentos e nas pessoas. Quero sentir sempre que eu fiz o melhor que eu pude, quero ter foco e sentir coisas de verdade. Quero poder dar mais sem sentir medo ou culpa ou remorso. Quero fazer promessas de verdade. Cansei de ser sozinha em mim, de tomar decisões idiotas e abrir os portões pra gente imbecil e situações estúpidas.
Is love alive?
Is love alive?
Is love alive?
I hope it is.
Acho que eu encontrei a musica perfeita.
http://www.youtube.com/watch?v=m6s5VRBzZLY