Não quero nada não, tô só dando uma olhadinha…

We’re not the fortunate ones

Julho 3, 2009 · 3 Comentários

Pra ler com:Greg Laswell – Girls Just Wanna Have Fun

Eu aprendi a lidar com muitas frustrações e, mesmo sabendo que as que ainda restaram são irracionais e me fazem parecer uma criança de sete anos que não conseguiu pescar a varetinha preta à tempo e não quer mais brincar – nunca mais, eu acredito que se não estou melhorando, vou conseguir melhorar.

Mas existem coisas que me causam algo maior que frustração. É isso com uma decepção… comigo mesma e com quem eu estou conversando. Eu não consigo me comunicar, a pessoa não quer consegue me entender e eu preciso falar. Isso me causa algo que eu desconheço o nome, mas me tira do sério.

Eu tenho um certo problema pra reconhecer quando alguém não quer me ouvir, mesmo eu tendo certeza que certa coisa precisa ser dita. Quem diabos inventou as frases de efeito, né? Aquelas em que a pessoa, evitando uma discussão ou a abertura de um diálogo só joga no ar e faz sua saída… Todo mundo conhece alguém assim. Aquelas pessoas que respondem “Ah não sei, você é quem sabe…” ou “Faz o que você quiser, eu não digo mais nada.” e ainda “Por mim…”( acompanhado daquelas duas levantadinhas automáticas de ombro). Ou aquela pessoa que só aparece e dá uma opinião pra “colocar fogo” na discussão e vai embora, não quer saber o que os outros acham, só quer causar um impacto. Mas, não sei o que é pior… Essas frases de efeito ou aquelas que servem pra te deixar sem resposta. Não porque a outra pessoa é super eloqüente e inteligente e articulada, mas por alguma outra razão que me é desconhecida. Tipo “Ah cada um é cada um”, “Ah que saco, deixa ele/ela/isso, cada um sabe o que faz”; “Amigo que é amigo não faz isso”; “Não faço comparações, isso leva à infelicidade” e “Não julgo pessoas” Claro, todo mundo tem direito de ser indeferente, de ser um jerk e tudo mais, mas então eu também tenho o direito de detestar isso. É o tipo de frase dead end Depois dali acabou-se a convera, o clima, a vontade de falar sobre qualquer outra coisa até. Eu acho isso de uma ignorância… de uma falta de educação até. Hoje é um dia daqueles.

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A Paixão

Julho 2, 2009 · 1 Comentário

Interessante o que a paixão faz com as pessoas. A paixão, ao mesmo tempo que é bom, pode ser horrível. Dá aquela sensação de nervosismo, ansiedade, borboletas no estômago… As mãos suadas e aquele incômodo constante causado por palavras que você gostaria de dizer, mas ainda não conseguiu. Noites mal dormidas, ciúme infundado, dúvida, frustração e medo que pode levar à situações embaraçosas. Só que isso passa. A paixão não dura para sempre, mas pode ir e vir num mesmo relacionamento. E isso é bom.

Todo mundo, em algum momento, fez alguma coisa por alguém por impulso. Você não queria ter feito exatamente aquilo, mas simplesmente sentiu que precisava fazer alguma coisa. Qual menina nos seus quatorze ou quinze anos que, numa dessas festinhas de colégio (alguém lembra das festas americanas?) ou numa balada qualquer, não foi centenas de vezes ao banheiro só para poder passar na frente de tal menino e ainda fingir que não o viu?

Já em um relacionamento, cabe a analogia do palhaço e o dono do circo. Funciona assim: O palhaço é aquele que faz malabarimos, que está feliz da vida e se declara, te faz passar vergonha até. Te faz surpresas, re-descobriu o quanto te ama e o quanto não pode viver sem você. É aquele que sente mais saudade, que liga mais vezes, que passa por bobo, que não se importa com o que os outros vão dizer, enfim, é o que está mais apaixonado naquele momento. O dono do circo, por sua vez, é aquele que está bem, está feliz, seguro e amando também, mas não se encontra nessa fase eufórica de que precisa demonstrar o que sente o tempo todo e não fica esperando que todo o dia vai ter um desfecho romântico, como nos filmes da Meg Ryan ou da Julia Roberts. Às vezes você é o dono do circo, às vezes é o palhaço. Todo mundo que já esteve em um relacionamento saudável sabe que aquele fogo do início do namoro vai e volta, e tudo bem.

A paixão é o mecanismo que o cérebro criou para nos dar um sinal, meio distorcido às vezes, de que tal pessoa é um excelente candidato (a) para a perpetuação da espécie. Eu não queria soar como um documentário do Discovery Chanel, mas acho que não tem jeito. A verdade é que a paixão não tem nada a ver com o que está na caixa torácica mas sim, entre as orelhas. É o cérebro que capta sensações e cheiros e ativa neurotransmissores que nos fazem sentir de diversas formas, inclusive apaixonados. De acordo com a teoria da evolução, isso acontece quando estamos diante de parceiros em potencial, no caso, os homens mais fortes e as mulheres mais férteis. Ainda em um formato de documentário, proponho o seguinte: pense que, no nosso mundo, a selva africana é uma balada. A maioria das pessoas numa balada está lá pela caça tanto que, se você pensar bem, você escolhe a balada pela música e pelo tipo de pessoa que você pode encontrar lá, ou não? E tudo vale: as cantadas péssimas, olhares fixos deles para elas, mexer no cabelo, fingir que não percebeu que o rapaz ficou olhando para você a noite toda, provocações no jeito de dançar… É maluco e é intenso. Para quem não está dentro do jogo, é quase cômico observar o que se faz durante uma caçada. Tudo isso é passional e pode durar só alguns minutos, outras vezes duram horas ou dias e há vezes em que, sempre que tal pessoas vier à cabeça ou cruzar com você na calçada, um nervosismo toma conta de você, até dizer “oi” torna-se uma questão existencial. Isso acontece porque, como eu disse lá no começo, o seu cérebro produz neurotransmissores que te deixam eufórico, te fazem sentir desejo e excitação e você às vezes faz papel de bobo. Considerando que somos a espécie mais desenvolvida no planeta, era de se esperar que nossos rituais de atração fossem menos desengonçados do que daqueles animais no canal citado, parece que não.

A verdade é a seguinte, quanto mais as pessoas aprendem com suas experiências, menos chances de sofrerem com a paixão. Já reparou que a tendência é sofrer menos ao fim de cada relação? Ficamos mais espertos com o tempo mas, isso não quer dizer que vai chegar o dia em que você não vai mais se apaixonar. Vai sim e sempre.

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What’s Going On?

Junho 30, 2009 · 3 Comentários


Por quê que, quando alguém morre a gente têm essa sensação de que deveríamos ter tirado mais tempo das nossas vidas para ter conhecido aquela pessoa melhor? As vezes sentimos uma ponta de culpa por não termos feito ou dito certas coisas à quem se foi. Eu conheço pessoas que tiveram reações exageradas e totalmente forçadas diante da morte de alguém, querendo se passar por pessoas que não foram, que não tiveram interesse em ser até então. Quase como se quisessem mais ou tanta atenção quanto quem partiu.
Voltando ainda à morte do Michael Jackson, uma coisa me chamou a atenção demais. Que ele andava super esquecido, a gente sabe. Que o retorno dele ao showbiz estava sendo encarado de uma forma cômica e com pouca fé, também sabemos. Mas, assim que ele morreu tudo o que ele produziu e o que tinha a cara dele na capa ou na estampa vendeu, vendeu até sumir das prateleiras. No top 10 dos mais vendidos na listinha do itunes, 5 das 10 músicas são do Michael Jackson. Os vídeos mais assistidos do YouTube também têm ele na lista. O que acontece que mexe com o inconsciente coletivo e que de repente precisamos ouvir as músicas, ver os vídeos, jogar Michael Jackson’s Moonwalker…? Essa é o meu questionamento da semana…Será que é culpa por termos pensado coisas horríveis dele enquanto era acusado de abusar menores? Remorso por ter guardado os discos e CDS numa caixa escondida na garagem durante pelo menos dez anos? Claro que essas perguntas são tão relevantes e tem tantas chances de uma resposta eloqüente quanto: Se o Michael do passado tivesse tido a oportunidade de ir até o futuro e ver no que ele iria se tornar, ele teria feito as coisas de outro modo? Enfim… essa era mais uma época que eu gostaria de ter vivido nos EUA. Se pra nós aqui foi impactante imagina lá,onde ele era muito mais constante e tinha um papel muito mais importante na cultura pop e na cultura afro-americana.
Acho que, no fundo, eu esperava que o tratamento contra o envelhecimento que ele fazia há anos fosse funcionar. Que quando eu tivesse sessenta anos (normais e algo bem próximo em bissextos) ele ainda parecesse jovem e ativo. Acho que estou desapontada com as causas e os processos naturais das coisas. Fazia um tempo que eu não me sentia assim.

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Who’s Bad?

Junho 29, 2009 · 3 Comentários

Eu fiquei triste que o Michael morreu. Fiquei triste e talvez até levei prum lado estranhamente pessoal, mas não é a primeira vez que eu faço isso, já faz algum tempo que, sempre que eu ouço uma música diferente, vejo um clip inovador ou mais uma novidade da internet eu me pergunto “O que será que o John Lennon iria achar disso?” Tudo bem, talvez isso soe bizarro e maluco, afinal, mesmo que ele ainda tivesse vivo, como é que eu ia saber o que ele acha dessas coisas? Certamente ele não iria ligar me contando.

O fato é que com o John isso começou quando eu descobri que temos algo em comum. Eu vivo com a TV ligada, mesmo que não esteja assistindo, preciso dela ligada. Gosto de ficar zapeando porque é como se fosse uma janela extra no meu quarto, eu posso ver o mundo todo do meu quarto. Eu prefiro ficar um dia todo vendo o Discovery Channel que lendo um livro às vezes. A nossa “semelhança” – e coincidência foi que ele declarou a mesma coisa em uma entrevista e, anos mais tarde a Yoko disse a mesma coisa, sobre como ele adorava a TV ligada o tempo todo, porque assim ele poderia ter uma janela para o mundo do quarto dele.

Do Michael Jackson eu tenho lembranças do Fantástico, quando “Remember the Time” e “Black or White” estrearam lá. Na época em que a MTV não chegava na minha casa. Lembrava da minha vizinha e da minha empregada que tinham posters dele nas portas do armário e de quando ele veio pro Brasil gravar “They don’t Care About Us”. Só que eu lembro também que, pra qualquer coisa boa que ele fazia, 10 coisas bizarras ofuscavam aquela coisa super legal. A imprensa sempre tirou sarro, debochou e duvidou da inocência dele diante de todas aquelas acusações de abuso infantil e pedofilia. A verdade é que não precisa ser um gênio pra entender que ele pensava mesmo que era um Peter Pan. Na hora de cantar, subir num palco e dançar, ele era único, era demais até pra ele mesmo. Inquestionavelmente ele foi um dos últimos mitos da cultura pop que nós temos.

“Scream” ainda é o clip de orçamento mais caro da história (5 milhoes de dólares), “Thriller” ainda é o album mais vendido de todos os tempos. Lógico que, o fato de esses números serem hoje inatingíveis é culpa, em grande parte, da internet e da disponibilização de informação e musicadados em tempo praticamente real. O que ele fez foi transpor limites. Ele criou batidas, ritmos, coreografias e isso é fantástico. Tenho certeza que quase toda essa geração de pop e R&B deve muito à ele.

Agora, voltando ao início, ao que tocou meu lado pessoal… É o seguinte, ele era uma pessoa visívelmente doente e discontente consigo mesmo. Ele não se deixou ajudar e quem garante que lhe foi oferecido? O que se sabe hoje é que ele tinha um pai horrível e abusivo, que controlava cada passo que ele dava. Por ser o mais talentoso dos irmãos foi o mais exigido. Perdeu a infância e a oportunidade de viver as fases da vida. Numa das entrevistas que ele deu, disse que o pai batia se um dos movimentos da coreografia não saísse conforme o ensaiado, imagina o tipo de ambiente que esse cara cresceu. Junto disso ainda vem a fama e as possibilidades infinitias sim, porque todo mundo que é rico e poderoso e influente pode ser e fazer o que quer… E foi o que ele fez. Tentar recuperar algo que não havia como.
Do meu ponto de vista, tudo fica fácil se pensarmos nele como uma criança, tudo o que ele fazia era típico de uma criança de 10, 11 anos. Ele queria andar com outras crianças porque de certo ele achava q tava tendo sua panelinha, com “pessoas” que pensavam e viam o mundo como ele. Sabe quando você tem 10 anos e quer que seu amigo durma na sua casa? É isso que ele fazia. E só é estranho pq ele era um homem de 40 anos. Eu acredito mesmo, sempre acreditei na inocência dele. Acho que as pessoas se aproveitavam dessa ingenuidade infantil dele e tocaram o pau com processos e tudo mais. É evidente que ele seria um alvo lucrativo e óbvio, como entender um comportamento desse num homem? Exceto que ele não achava que tinha essa idade e nem as responsabilidades que vinham com ela.
Em uma outra declaração, Michael diz que as plasticas vieram porque 1) ele não queria se parecer em nada com o pai e 2) o pai o provocava o tempo todo por causa de sua aparência e suas espinhas, dizendo que isso era mais uma coisa que ele havia puxado da mãe. Com o tempo isso o fez mais e mais descontece com a aparência. É mais interessante ainda o comportamento dele se levarmos em conta que ele pensava como criança e tinha as possibilidades de um adulto.
O que me incomoda e me enche de raiva são todas as homenagens, as coberturas, as mensagens de pêsames nos twitters dos famosos nível Lindsay Lohan expressando tristeza e sentimento de perda, como se fosse um membro da família. Quantas dessas pessoas realmente se importavam com ele e não o achavam um esquisitão pedófilo e perturbado? De repente ele virou especial e importante e uma perda irreparável… mas ele tava até o talo de dívidas e sem muitos amigos, aparentemente. Claro que o contrário também seria horrivel, ninguém demonstrar nada e só uma pequena nota esquecida no canto de um jornal… Mas acho que essas pessoas deveriam se esforçar menos pra mostrar qualquer tipo de condolência.

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Flightless Bird, American Mouth.

Junho 17, 2009 · 1 Comentário

Às vezes eu tenho isso de sentir uma inveja que não acho que seja inveja e que passa bem logo. Acho que têm sintomas de inveja mas não a coisa em si. Eu já me questionei e trabalhei isso de inveja, desde há uns dois anos atrás quando me disseram que eu era o tal pecado capital em forma de pessoa. Acho que pra ser invejoso, tem que ser mais. É preciso ser um pouco vingativo, auto-destrutivo, mesquinho, egoísta, ignorante até e, o mais importante… não acho que o invejoso considere nem a mínima possibilidade de ter esse sentimento ou características desse sentimento. O invejoso não pensa em momento algum sobre como tal pessoa está feliz da vida, mas sim o fato de ele não estar e de como a vida foi injusta com ele e tudo mais…

Ok, uma introdução meio grande para o que eu queria mesmo falar. Acabei de saber hoje que uma amiga com quem eu não falo há tempos está em Nova Iorque. Eu acho ótimo, fantástico ver fotos que eu também já pude tirar, ver nos olhos dela o fascínio diante do colorido luminoso da Times Square, amar DC.. Pensando bem, não sei agora se é uma saudade, mais que uma inveja.

Eu posso dizer sem problemas que conheço NYC praticamente com a palma da minha mão, conheço os metrôs, senão, sei pedir informações e sei me guiar, sei onde procurar o quê.E é muito diferente viajar à passeio e trabalhar num lugar desse. Ver essas fotos me fez querer voltar, mas com tempo e com pessoas que eu gosto, como ela provavelmente fez.

Ao contrário de Londres, NYC me deixa dividida. Tem coisas que eu lembro que me faziam detestar a cidade, têm outras… Mas NYC me traz a mesma sensação de certeza de voltar que Londres me trazia (e ainda traz) me deixa um pouco triste não ter aproveitado mais, mas me acalma essa sensação segura de que eu não preciso me preocupar, porque eu vou poder voltar.

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The world can try but we can’t change.

Junho 13, 2009 · 2 Comentários

Pra ler com: Seabird – Falling for you.

Relacionamentos são uma coisa tão perigosa de se dissertar sobre. Se você está solteiro agora mas teve muitos relacionamentos anteriormente, como você pode falar de namoros felizes e que dão certo se os seus não deram? Ou, você acredita seriamente que o seu relacionamento é o melhor, o mais perfeito, o que vai dar certo e daqui há uns meses descobre que existia uma outra namorada no mesmo relacionamento, não há semanas mas, há meses.

Há pessoas que têm relacionamentos perfeitos, mas não é o suficiente. Existem pessoas que amam de mais ou de menos, que têm ciumes de mais ou de menos, desconfiança ou excesso de confiança demais ou de menos… Quem sou eu, quem é qualquer um, pra dizer o que é bom ou o que é ruim pra alguém. Graças a D’us que, mesmo diante desses questionamentos óbvios nós todos nos aventuramos a comentar sobre o que se passa quando nos entregamos à alguém.

Esses dias eu pensei em algo e, depois que eu coloquei no papel tornou-se a coisa mais óbvia do mundo: quanto mais a gente se apaixona e quebra a cara, mais fácil fica. Menos dói depois, existem mais chances de fazermos escolhas menores no futuro, de sermos menos cegos diante dos deslizes (nossos e do outro)

E hoje, tive outro desses insights. O que quer que seja que a gente sinta por outra pessoa fazer com que a gente ignore – ou queira ignorar – coisas importantes, como a situaçao real e a verdadeira compatibilidade do casal. A gente quer tanto que dê certo que ignora o fato de que um casal pra funcionar tem que ter comunicação, reciprocidade, confiança. O que será que nos leva a tentar fazer funcionar o que simplesmente não vai? Por que nos convencemos que PRECISAMOS mudar quando quem precisa não é você, mas o outro? É como insistir que um par de sapatos 34 tá super confortável num pezinho 38/39… Querer que tal tampa seja nossa tampa quando essa tampa claramente não serve. Eu óbviamente não recrimino, porque eu já fiz isso, quem não fez. Eu quero é saber por quê.

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O Ato Falho, a Reação e o Conserto.

Junho 9, 2009 · 2 Comentários

Já fui muito mais apaxonada por psicanálise e, mesmo que hoje eu pense em outras coisas, algumas situações me remetem a psicanálise e como ela faz sentido. Uma delas é o ato falho. O ato falho, consiste basicamente em dizer algo que você não “queria dizer, mas disse” Por exemplo, quando você chama a namorada atual pelo nome da ex. Isso pode significar varias coisas ou coisa nenhuma. Nesse ponto eu amo Freud quando ele diz que “às vezes um charuto é só um charuto” E as vezes não mas, que fique claro, para que o ato falho se configure ele não pode ser intencional.

Agora, se juntarmos o poder do ato falho com o meu timing impecável e com uma situação delicada temos o que eu causei: um desastre de proporções astronomicas, com conseqüências ainda não totalmente conhecidas pelo homem. Essa minha qualidade, de causar desastres com palavras, é o que me impede de manter conversas com crianças e adolescentes, porque eu SEMPRE falo algo desnecessario. Hoje não foi nem com criança e nem com adolescente, mas foi o pior dos atos falhos… E aí, como eu vou explicar algo que eu NÃO quis dizer? Especialmente palavras que nunca me trariam beneficio algum!

Pessoas fazem interpretações diferentes de uma mesma situação e tem habilidades de “move on” e “get over” totalmente diferentes. Apesar de estar pensando em todas as possibilidades de remediar a situação, é inevitavel não pensar o que eu faria se fosse o contrário…

“You fight, you deal with it and move on, otherwise I´ll never have a real relationship…” (monica geller)

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(re) Pamonhalizar.

Maio 25, 2009 · 1 Comentário

Um dia desses ouvi uma metáfora genial sobre uma característica bem comum que a maioria das pessoas (adultos) têm observado sobre as crianças: elas não sabem dar valor ao que têm. Essa metáfora faz parte de mais um montão de “provocações filosóficas” cunhadas pelo professor e filósofo Mario Sérgio Cortella. Eu não vou me extender muito e colar o texto todo mas, basicamente ele diz que “estamos vivendo uma “despamonhalização” da vida em família”, ou seja, não fazemos mais pamonhas, não fazemos mais as coisas juntos.

O ato de fazer pamonhas é meramente ilustrativo. É sobre mais que isso, é sobre passar tempo em família, fazendo coisas em família e experimentando cada passo da experiência. No caso da pamonha, seria mais ou menos assim: A família toda acorda pelas quatro da manhã para colher o milho. Enquanto os homens trazem o milho, as mulheres o descascam. Mais tarde, o os grãos são tirados da paçoca e, enquanto os homens amassam o milho no pilão, as mulheres já preparam as cascas verdes e a água para o cozimento daquela farinha amassada… Esse processo todo provavelmente levava o dia todo quase, deixando a pamonha bonitinha pra comer lá pelas quatro da tarde. Mas não havia pressa.

Sim, todo mundo tem fome e tem vontade de comer, mas se você entende que tudo tem um processo e um preço (não só em termos de dinheiro), fome e vontade de comer tem um outro significado, eles são acompanhados de compreensão, de que é preciso esperar esfriar.

Do meu ponto de vista, eu não vejo só como “aprender coisas em família”, ou só o “trabalho em equipe”, mas duas coisas:
- O processo: O que mais pode incomodar é não saber o que vem depois, quanto tempo até tal coisa ficar pronta ou até chegarmos à algum lugar. Tudo bem ter dúvidas mas, não tão bem se não houver alguém disposto `a dar respostas. E hoje é assim, todo mundo pensa que não tem tempo pra nada, que tudo é pra ontem. Meu vô dizia que, pra mandar fazer, é preciso saber fazer. É verdade mas, alguma coisa acontece que a prepotência e as justificativas absurdas e infindáveis viraram moda e se espalham como uma praga. Digo, é mais fácil hoje você encontrar alguém tentando justificar a merda que fez do que simplesmente dizer: “Fui eu, reconheço. Vou melhorar da próxima vez” E melhor, mais raro ainda é encontrar alguém que diga isso com total confiança e paz de espírito e querendo MESMO acertar e aprender mais para a próxima vez.

- O Valor: Eu admito meu medo irracional de ter filhos. Admito que eu tenho medo ainda de perder deles e acabar cedendo à vontades absurdas e caprichos intensos de curta duração, ou de passar por um clássico episódio de temper tantrum no supermercado. Eu espero que não dê mesmo pra comparar as crianças americanas com as brasileiras mas, a noção de valor das coisas é inexistente nas primeiras. Digo, elas sabem o valor em dólares do tênis ou do celular, mas não sabem quantas horas de escritório ou de mijada de chefe ou de incômodo isso custou. Tudo bem, acho que um monte de crianças aqui estão na mesma média. Eu acredito ainda em preceitos básicos do Behaviorismo. Punição e Reforçamento (tanto positivo quanto negativo). Eu acredito em cortar a grama pra ganhar a mesada, ou lavar a louça e coisas assim. Acredito que, passar um dia todo fazendo pamonha vai te fazer gostar da pamonha e não cuspir metade no chão porque tem gosto ruim.

Eu fiquei pensando no efeito da despamonhalização em mim. Eu tive castigo e tapa na bunda e eu tive minha parte em tarefas domésticas que eu detestava pra ganhar mesada, ainda bem que eu pude ganhar mesada. Mas reparei, esses dias, que talvez não foi o suficiente. Eu já entendo o valor, mas não bem o processo. Eu devo parecer uma idiota fazendo perguntas bobas sobre capital de giro, imposto de renda e investimentos. Eu preciso ler que a Penélope Cruz fica com medo que os diretores vão demiti-la dos filmes porque ela se sente insegura pra perceber (e ficar surpresa) que tem mais gente assim no mundo do que eu pensava.

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Sorry To Myself.

Abril 27, 2009 · 1 Comentário

Esse fim de semana foi ótimo. Minha primeira aula da especialização foi tão boa que me faltam adjetivos pra explicar. Fiquei hiper encantada e mais convencida de que é isso mesmo que eu quero fazer.

Achei engraçado que, durante a aula eu tinha uma oscilação de pensamento, entre “caralho, eu não vou conseguir ser assim, aprender tudo isso..” com “cara, eu consigo fazer isso! Eu já sei isso!” E o espaço entre esses pensamentos era preenchido com “será que só eu me sinto assim??”

Quando o curso acabou, era ora de entrar no carro e voltar pra casa. Como eu não tenho mais paciência pra gravar CDs e nem a tecnologia de uma entrada AUX no radio do meu carro à minha disposição, decidi infringir a lei e ir ouvindo meu ipod, eu me considero uma motorista boa o suficiente pro ipod não me distrair. Eu ouvindo as músicas e, dentre a imensidão do meu repertório sempre aparecia uma ou outra que eu escutava e pensava “nossa!! que musica massa! de quem é??” e aí eu descobria que era de um artista que eu já amava e que estava num CD que eu inclusive já tinha, mas nunca tinha dado atenção àquela música porque nunca havia chegado lá. Eu era uma daquelas pessoas que compravam CD por causa de uma ou duas músicas.

Nisso, toca “Sorry to myself” da Alanis. Que tá no Single do Precious Illusions (que, óbvio, não saiu aqui no Brasil) e no DVD do Feast On Scraps que junto vinha um CD com 6 ou 9 faixas, não lembro… Eu ia mudar, mas decidi ficar ouvindo… Fiquei de cara como eu não tinha colocado essa música no post Artists We Love, que eu fiz um pouco antes de ir no show dela quando eu estava em NY.
Eu já escrevi um post de 3 partes sobre o tanto que a Alanis Morissette representa na minha vida, então, não vou entrar nisso… Mas fiquei pensando nessa letra, no quanto eu evoluí e no quanto eu posso regredir se eu não me monitorar constantemente. Fiquei pensando que, se eu não tivesse conquistado respeito próprio, uma posição no mundo pra mim e pros outros, eu nem teria me inscrito nesse curso, ou no congresso em agosto, ou ido pros Estados Unidos ou qualquer coisa assim.. eu não iria conseguir.
Fiquei pensando que algumas coisas da letra ainda fazem muito sentido na minha vida, coisas que eu preciso consertar e pedir desculpas à mim mesma. Talvez existam coisas que eu nunca vou conseguir consertar, mas acredito na mudança, sempre. Pessoas podem melhorar sim e, se existem coisas que fazem você sofrer, é porque algo está errado.
Cada estrofe de letra me remetia à uma situação, passada e presente. Me lembrando das coisas que eu quero mudar e das coisas que eu já consegui mudar… Percebi que eu já não tenho mais muito pra me desculpar, o que me deixa feliz. Não existe nada mais recompensador, acho eu, do que perceber nossa evolução, validar nosso esforço… Eu raramente tenho essa sensação de satisfação com as coisas que eu conquisto, sempre acho que eu devia ter feito mais, melhor… mas não… nesse aspecto, de me amar mais… acho que eu fiz o possível e o possível naquele momento foi o suficiente, encaixe perfeito.

For hearing all my doubts so selectively and
For continuing my numbing love endlessly.
For helping you and myself: not even considering
For beating myself up and overfunctioning.

To whom do I owe the biggest apology?
No ones been crueler than Ive been to me.

For letting you decide if I indeed was desirable
For myself love being so embarassingly conditional.
And for denying myself to somehow make us compatible
And for trying to fit a rectangle into a ball.

And
To whom do I owe the biggest apology?
No ones been crueler than Ive been to me.

Im sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else.
Im sorry to myself.
For treating me worse than I would anybody else.

For blaming myself for your unhappiness
And for my impatience when I was perfect where I was.
Ignoring all the signs that I was not ready,
And expecting myself to be where you wanted me to be.

To whom do I owe the first apology?
No ones been crueler than Ive been to me.

And
Im sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else.
Im sorry to myself.
For treating me worse than I would anybody else.

Well, I wonder which crime is the biggest ?
Forgetting you or forgetting myself…
Had I heeded the wisdom of the latter,
I wouldve naturally loved the former.

For ignoring you: my highest voices.
For smiling when my strife was all too obvious.
For being so disassociated from my body,
And for not letting go when it wouldve been the kindest thing.

To whom do I owe the biggest apology?
No ones been crueler than Ive been to me.

And
Im sorry to myself.
My apologies begin here before everybody else
Im sorry to myself.
For treating me worse than I would anybody else.(2x)

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Is Love Alive?

Abril 23, 2009 · Deixe um comentário

“This is my winter song to you.
The storm is coming soon,
it rolls in from the sea ”

Eu fiquei pensando hoje nas coisas que eu mesma falo e não presto atenção. Das coisas que estão escondidas, dos erros que a gente comete com tanta freqüência e que acabam passando de erros pra hábitos.

Fiquei pensando que eu me esforço tanto pra entender, e eu entendo tão pouco. Que todo mundo subestima o poder que o cérebro tem, ignorando coisas que a gente já sabe, coisas que são realmente tão óbvias quanto eu sei que são e, ainda assim, eu não me deixo aprender, ou pelo menos decorar. Que eu também gosto de ver coisas que não existem, dar chute em cachorro morto, morto.

“They say that things just cannot grow
beneath the winter snow,
or so I have been told.”

Eu passei anos, passei horas… tentando entender coisas que não fazem diferença alguma. Dando corda pra situações que já são cheias de buracos e falídas desde que começaram. Dando credibilidade pra quem já demonstrou que não merece alguma. Me propondo a garantir um lugar especial na vida de pessoas medrosas e inseguras, que só arriscam o que não se importam em perder.

Horas de sono perdidas porque eu simplesmente precisava que alguém me dissesse que eu tinha razão, que era isso mesmo que eu pensava e teorizava o tempo todo.
Oscilação de claro e escuro, ora não me importando em perder coisas, ora tendo a certeza que eu iria perde-las, dependendo do que eu decidisse.

Em alguns momentos eu podia jurar que eu tinha “flashfowards“, vendo as minhas possibilidades de futuro, tudo pintado com a tinta de cada escolha. E, mesmo a escolha certa sendo óbvia, tão óbvia que nem precisava de decisão alguma, eu ainda digeria as tais possibilidades… infinitamente.

Eu nunca achei que a falta de fim fosse por qualquer outra razão senão o fato de que eu não tinha uma confirmação. Como podia ter fim se eu não venci ainda??? Eu só quero saber, eu só preciso saber que eu tenho razão.

“They say were buried far,
just like a distant star
I simply cannot hold.”

Eu não sei mais o que é pior… não saber do erro, ou saber dele e não conseguir parar. É a dependência de algo que eu não sei o que é, eu só deixo vir. Não uma coisa ou uma pessoa ou uma situação.. é o que eu faço disso.
São as coisas que eu quero e duas semanas depois não quero mais, os livros que eu só leio até a metade… As empreitadas que eu tenho medo de começar… A ansiedade que gera eu pensar em dar passos no escuro, a raiva que me dá por ter tanto medo, por não ter apanhado mais e aprendido mais… Por não saber sair disso sozinha…

“This is my winter song.
December never felt so wrong,
cause youre not where you belong;
inside my arms.”

Podia ser pior, podia ser como quando eu simplesmente não achava q nada podia ser bom, ou podia melhorar. que eu não me achava bonita ou capaz ou inteligente… Que eu não conseguia separar quais minhas qualidades e quais os meus defeitos…
Mas precisa ser melhor, preciso parar de me colocar em armadilhas.. Nessas sabotagens que nem elaboradas são, só são suficientes pra me causar raiva e sofrimento.

Eu não duvido da minha qualificação quando se trata de lidar com os outros, não duvido da minha capacidade de atender, de auxiliar, de ensinar e supervisionar até. O que me leva a ficar impressionada com a facilidade que eu mesma tenho de me desqualificar, de me ignorar quando eu falo, de ter medo de confiar em mim.

Eu me surpreendo com a facilidade que eu tenho de comprar promessas vazias e confiar em palavras sem valor algum. Como é fácil pra mim trocar certeza, estabilidade por 15, 20 minutos de… clichê, fantasia meia-tigela.. de um mundo de fantasia do camelô… E eu sei que eu não quero esse mundo… Eu não quero o iphone, não preciso do carro ou da casa… Mas eu faço, ainda assim.

E aí eu me vejo forçada a convocar o freudiano que restou em mim e considerar que talvez o problema não está no que eu queira ou não ter, mas o que fazer com o que eu já tenho. Sabe aquilo de… eu prefiro fazer dar errado do que ser pêga de surpresa? O medo que acabe faz com que você termine tudo de uma vez primeiro. O medo de ter tomado uma decisão errada, de não dar conta, de não merecer, de não saber lidar… Talvez medo da decepção, de ser enganada ou traída ou de ter depositado qualquer tipo de investimento… Pra algumas pessoas é assim mesmo.

“I still believe in summer days.
The seasons always change
and life will find a way.”

Quando a gente nunca ouviu falar de certas coisas, é como se elas nunca tivessem existido. Eu me sinto assim às vezes, afinal eu só faço o que eu tenho disponível no repertório.
Eu não quero mais ser assim. Eu quero aprender a colocar minha mão no fogo, ter convicção nas coisas, nos sentimentos e nas pessoas. Quero sentir sempre que eu fiz o melhor que eu pude, quero ter foco e sentir coisas de verdade. Quero poder dar mais sem sentir medo ou culpa ou remorso. Quero fazer promessas de verdade. Cansei de ser sozinha em mim, de tomar decisões idiotas e abrir os portões pra gente imbecil e situações estúpidas.

Is love alive?
Is love alive?
Is love alive?

I hope it is.

Acho que eu encontrei a musica perfeita.

http://www.youtube.com/watch?v=m6s5VRBzZLY

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