Não quero nada não, tô só dando uma olhadinha…

Setembro 30, 2008

Artists We Love: Alanis Morissette (pt.2)

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 8:18 pm

Assim que eu vi pela primeira vez o clip de Hands Clean na MTV, até o nome do meu blog eu mudei. Eu adorei o clip, adorei o conceito, entendi a letra e, de certa forma eu me relacionava porque eu namorava um cara relativamente bem mais velho que eu, 8 anos. E eu me sentia muito daquele jeito. A musica era diferente, não era mais aquela coisa pesada do Supposed Former.  Hands Clean por exemplo, era meio felizinha e ela parecia que tinha uma atitude menos afetada com aquela experiência em particular, eu amei. Eu me dei esse CD de aniversário, porque saiu em fevereiro de 2002. Era minha trilha sonora pra ir pra auto-escola.  Eu tava começaaaando um namoro com esse cara mais velho, mas era estranho.

Ainda tinha muita coisa mal resolvida dentro de mim, do namoro anterior, sempre que eu ouvia Flinch eu chorava porque, mais uma vez, parecia que eu tinha escrito aquilo. Como podia, a Alanis Morissette ter passado por uma situação daquelas? De ter alguém na vida dela que saiu mas que ainda assombra e incomoda??? E aí ela terminava com “Soon I’ll grow up and I won’t even flinch at your name” E eu torcia pra isso acontecer logo comigo também, porque incomodava demais.

Eu adorava andar na rua ouvindo “Narcissus“. Eu me achava mesmo a última bolacha do pacote, me sentia como se eu soubesse de  algo que ninguém mais soubesse e, sempre que aparecia um cara que hoje eu considero um d-bag, eu ouvia essa música.

Precious Illusions” eu também, pra variar, considerava muito pessoal.Eu não sei, eu acho que os nossos relacionamentos anteriores servem de guidelines pros nossos próximos, e eu tinha na minha cabeça muitas vontades, que eu não conseguia expressar. O fracasso do relacionamento anterior e a constante idéia de que ele estava mais feliz que eu e que isso era injusto me fez apressar as coisas e ver o que não existia. Tava mais do que na hora de eu começar a mudar algumas coisas que eu pensava e essa música me fazia pensar nisso, que eu precisava tomar decisões e que sim, eu era a pessoa mais confusa do mundo e que era hora de eu me desfazer de coisas que já não me tinham mais seventia e que eu precisava parar de sonhar ou de sofrer demais.

Durante muito tempo as coisas desandavam mas eu preferi não ver, por alguma razão que eu realmente desconheço, mas eu entrei numa de que, se dava errado era culpa minha, eu precisava resolver, eu precisava melhorar. Eu lembro de ter escrito num diário a música “So Unsexy“, mesmo eu me sentindo meio deslocada.. foi algo como uma terapia interna, de eu precisar reconhecer minhas qualidades e que talvez os outros tivessem razão quando diziam que não entendiam certos comportamentos vindos de uma pessoa como eu, de nada me valiam as opiniões se eu não via isso tudo. Com o passar do tempo, “That Particular Time” virou uma música constante na minha cabeça e no meu discman. Eu andava me sentindo sufocada e perdida e infeliz, eu tava procurando coisas que eu nem sabia o que eram, mas eu precisava continuar procurando, a idéia de eu precisar melhorar e fazer mudanças e aceitar foi sendo desvirtuada, devagarinho, na minha cabeça, melhorar tornou-se sinônimo de aceitar, de conformação e de submissão quase. Tudo em mim era contra essa adaptação mas eu forcei e fui até onde eu pude e onde meu corpo não me deixou mais. Quando o namoro longo terminou e eu precisei justificar, ouvi essa música por muitas e muitas vezes, pra conseguir colocar minhas idéias no lugar. Tudo o que veio depois, o período em que eu fiquei sozinha, essa música também teve bastante participação nos momentos em que eu resolvi parar pra pensar.Ano retrasado eu, por alguma razão, resgatei os albums das cinzas. E 21 things I want in a lover foi essencial pra mim, já que eu andava mesmo chutando o balde. E o mais legal, eu acreditava mesmo nessas palavras.

Hoje os tempos são outros e eu gosto de pensar em “Surrendering“, como eu sou chata e difícil e esquisitinha da glaslite mas como eu amo tudo isso e não pretendo mudar essas pequenas coisas e ao mesmo tempo, como eu respeito e admiro e apóio a insistência e a persistência e tudo o que implica estar comigo. ” (…) and I salute you for your courage, and I applaud your perseverance, and I embrace you for your faith in the face of adversarial forces that I represent.”/ “(…)and I support you in your trusting, and I commend you for your wisdom, and I’m amazed by your surrender in the face of threatening forces that I represent.

Mesmo eu já estando em outra fase, esse último CD foi ainda a trilha sonora da minha mudança em muitas coisas.

Mais tarde, ainda em 2002 ela lançou um CD + DVD chamado Feast On Scraps, com músicas que ela não colocou no Under Rug Swept. Nesse ano minha vida andava se despedaçando e eu também. Duas músicas em particular se tornaram parte da trilha sonora daquele momento da minha vida. Simple Together e Bent 4 U simplesmente colocavam em música, prosa e letra exatamente como eu me sentia naquele momento, era aquela fase da adolescência em que a gente não existe, só a outra pessoa que a gente insiste em manter na nossa vida, mesmo que ela não nos faça bem.

Em 2004 então ela lançou outro CD, que não teve tanta publicidade quanto os dois últimos. No início tudo o que eu queria era ela, mas ou eu não tinha dinheiro, ou eu adiava… até que eu fui esquecendo e ganhei de um amigo, uma cópia pirata claaaaro. Ainda assim, mais uma vez a gente não falava a mesma lingua. Por alguma razão ela tava feliz e eu não gostei.

Setembro 29, 2008

Artists We Love: Alanis Morissette. (pt 1)

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 6:15 pm

Eu podia abrir esse post com as citações da Wikipedia e ir on and on com coisas que todo mundo já sabe ou, se não sabe, pode procurar no google. Ao invés disso, vou falar da minha experiência. Meu primeiro CD de rock foi o Jagged Little Pill. Eu tinha 12 anos e, pra variar, estava entrando naquela fase altamente difícil da adolescência, que as pessoas só r

Meu primeiro CD de verdade... Antes disso, minha coleção era o CD internacional da novela Pátria Minha  e a trilha sonora do Rei Leão.

econhecem e se identificam depois de algum tempo… colocam a culpa da mudança de humor nos hormônios, que nem com mulher grávida ou como na TPM… Eu lembro que, na época, Blumenau ainda tinha a Rede Transamérica e a primeira vez que eu ouvi “You Oughta Know”, eu não entendi super do que se tratava, mas eu simplesmente amei, eu fiquei pensando “Meu Deus.. que pessoa mais puta da cara!” Dava pra sentir raiva emanando da voz dela, vibrando as caixinhas de som do meu rádio “Somy” (minha mãe ainda trabalhava com importação – paraguai.)Esse cd foi o primeiro “de verdade”… Antes disso, minha coleção era o CD internacional da novela “Pátria Minha” e a trilha sonora do “Rei Leão”.

Por causa desse CD eu comecei a curtir mais as aulas de inglês e lógico, quase precisei duma segunda cópia. Depois que a caixinha quebrou, eu levava o disco dentro do bolso da japona da escola, pra tocar no discman na hora do recreio. Meses de prática até eu conseguir cantar “Not The Doctor” e “All I Really Want”.  Devagarinho eu descobri que algumas meninas mais velhas na escola gostavam dela. Era fácil saber quem eram, cabelos compridos atá a cintura, calça jeans escura e camiseta meio larga. Tinha uma menina que sabia tocar violão e ainda hoje procura trabalhar com música, naquele tempo ela fazia apresentaçõezinhas na escola sempre que possível e eu amava ouvir ela tocar. Daí em diante começaram minhas primeiras tentativas no violão. Vira e mexe fico pensando em voltar. Ainda acho que eu devia…

Toda vez que eu sofria uma desilusãozinha amorosa (e foram muitas), eu recorria ao CD da Alanis.. Só ela me entendia, só com ela eu podia ficar puta e pular de ódio enquanto eu apavorava na minha guitarra aérea.  Eu ouvia “Perfect” e pensava no cara que esnobou… ou pensava nos meus problemas com meus pais…Ouvia “Head Over Feet” e, mesmo não sabedo que era uma expressão pra alguém que está apaixonado, eu meio que sentia o que era e pensava no carinha que eu gostava. Eu odiava “Mary Jane“  e eu achava que “All I really want”  me descrevia tão bem que eu quase me sentia como se ela tivesse roubado a letra de mim (a louca). Achei que eu tinha descoberto a América quando ouvi “You Learn” e quando tudo dava errado, eu ouvia “Hand in My Pocket” e eu lembrava como eu gostava de passar tempo sozinha, me sentia como se eu tivesse num filme sobre mim, com trilha sonora (se achando), porque a Alanis tava me dizendo que estava dura, mas estava feliz. Que ela era baixinha, mas saudável e que ela estava perdida,mas tinha esperança e que, no fim tava tudo bem porque ela tava com uma mão no bolso e a outra tava fazendo um high five. E ainda hoje “Ironic“  me faz parar pra pensar e ligar menos pras coisas que não saem como a gente esperava.  Acho genial quando ela diz: “Well life has a funny way of sneaking up on you when you think everything’s okay and everything’s going right. And life has a funny way of helping you out when you think everything’s gone wrong and everything blows up in your face…”

Eu lembro de andar pra cima e pra baixo na praia, ouvindo “Forgiven” e eu nunca entendi a letra.. acho que nem procurei aprender também, até porque mais tarde.. quando eu li a letra e vi que tinha tudo a ver com você ir pra igreja e não se encontrar la dentro e se sentir forçado a acreditar em coisas que você simplesmente não consegue.. era um daqueles casos que a musica em si não significava nada, mas me fazia sentir algo.  Já “Right Through You” era outro caso, eu andava na praia e fazia um lipsync da música e bateria aérea e tudo mais… e era tudo sobre um cara chamado Samuel que, agora lembrando assim ele era um exú tadinho… mas eu tinha uma paixonite assim insuperável. Acho que ele casou com a namorada daquela época ainda…

Enfim… foi um dos poucos discos que eu ouvia tudo, até o fim e gostava praticamente de todas as músicas. O dia que eu descobri “You House“, aquela faixa acapella escondida no final do CD… nossa, foi a glória. Até hoje eu escuto e fico meio arrepiada. Acho incrível o talento que ela tem pra transformar em letra aquelas coisas que acontecem com todo mundo mas a gente não sabe explicar tão bem ou tão diretamente. Eu nunca entrei na casa de um ex namorado e tomei banho na casa dele, dei uma olhada nos cds ou comi na cama sem ele estar lá, a parte boa dessa música, pra mim, é que me fazia sentir como se eu tivesse feito essas coisas, descarregava todo aquele peso que eu sentia, resolvia coisas no meu imaginário que até então eu não sabia como fazer.

E essa, eu diria, foi a maior contribuição dela na minha vida, conseguir colocar melodia nas coisas que eu não conseguia, ficou mais fácil de entender, ela colocou legenda nas coisas que eu não conseguia explicar.E ela é tão importante que eu nem perdi o respeito por ela quando ela apareceeu na Malhação em 96…

Em 97 saiu o filme “Cidade dos Anjos” e sempre que a gente pensa nesse filme, Iris do Goo Goo Dolls é o que vem à cabeça. A trilha sonora inteira é fantástica mas Uninvited… Desde a primeira vez que eu ouvi essa música e até hoje, é intensa pra mim. Desde a melodia, até os arranjos de cordas… os altos e baixos da música, tudo.  Eu encontrei um site… www.songmeanings.net onde as pessoas postam uma letra e vira um forum, onde as pessoas comentam o que acham que a letra significa e um cara comentou algo super interessante. Ele diz que a música tem três estágios, o primeiro ela diz que se sente lisojeanda com o interesse do cara, mas que agora ela não pode lidar com isso, no segundo estágio ela fala sobre como essa pessoa tá pressionando e fazendo ela se sentir quase desconfortável e que parece que ele gosta disso mas que ela simplesmente não quer, não está interessada. No terceiro e último estágio então, ela fica mais agressiva e mais objetiva, dizendo que essa pessoa acha que está apaixonada mas na verdade não está. Que essa pessoa pensa que já sentiu amor como o amor que ela sente antes e que isso tem que parar, que isso não é permitido e que não foi convidado. E aí, no fim, ela meio que cede e diz que ela não pensa que essa pessoa não digna do amor dela, mas que ela precisa de tempo pra pensar pra se deixar tentar (por medo de se envolver) – Eu achei uma interpretação genial. Eu acho, sem dúvida, uma das melhores letras de música que eu já vi. É relativamente curta, mas diz tanto…

Em 1998 minha mãe veio pra NYC com uma amiga e, como eu sabia que a Alanis tava pra lançae o Supposed Former infatuation junkie (que me levou uns bons anos pra eu entender o que significava), eu emplorei pra minha mãe procurar e me trazer. A gente ainda tava naquele tempo em que o Brasil não era incluído no lançamento mundial das coisas. Eu lembro que a primeira coisa que eu fiz, antes mesmo de abraçar ela e dizer “ah que saudade! que bom que vc voltou! como foi de viagem??”, eu disse: “achou o cd???”

Eu tive que mandar uma folha junto com ela. Com o nome do CD por escrito (po, naquele tempo nem eu conseguia pronunciar o nome direito) e tudo, pra ela não comprar errado e coisas assim…Nossa, quando eu descobri que ela não trouxe eu revelei meu lado materialista… quase entrei em depressão mas, assim que ela viu o CD ela comprou e me deu, assim, do nada.

A primeira vez que eu vi o clip de “Thank U“  e ouvi a letra.. eu fiquei meio perdida, eu não sabia o que tinha acontecido, a gente não falava mais a mesma língua. Ela falava de histórias que eu não conseguia entender e agradecia por coisas que só aconteceram com ela. Quem afinal era Baba??? Ela nunca me disse, e eu fiquei frustrada. Era muita informação pra mim em cada música, parecia que ela queria colocar 5 faixas em uma. Que ela simplesmente tinha coisas demais pra dizer. Mas com o tempo eu consegui entender ela de novo. Uninvited me acompanhava desde então, experiências passadas moldam a nossa recepção de situações similares no futuro. A apresentação dela ao vivo num dos Emmys, em que ela cantou Uninvited com uma orquestra atrás dela fica na minha cabeça até hoje, tenho a versão em MP3 e achei o video no youtube, ainda hoje eu assisto e é forte pra mim. Desde a expressão facial dela até a orquestra… tudo.

Mais ou menos nesse ano, 98 até 2001 por aí, foi onde muita coisa aconteceu, uma fase mais que definitiva do meu futuro. Quando eu me sentia sozinha e gostava, ouvia “Front Row”, mesmo sabendo que era sobre um assunto não tão relacionado com o que eu sentia naquele momento, me fazia sentir como se eu só estivesse assistindo ao mundo passar, só observando “I’m in the front row, the front row with popcorn… I get to see you, see you, close up…” Sempre que eu precisava de um apoio moral, eu gostava de pensar que “UR” na verdade falava sobre mim e que “So Pure” não tinha absolutamente nada a ver com NYC, mas com coisinhas especiais que cada pessoa têm, só precisava de um cenário.

Em 99 as coisas começaram a andar muito bem, a trilha sonora de “Dogma” saiu e junto com ela, “Still“, que a Alanis escreveu especialmente pro filme e que fazia sentido quando você lembra que ela interpretou Deus no filme. Eu amava ouvir a música no modo repeat do discman e entender a letra, que era grandiosa demais mas que basicamente falava sobre compreender as ações, ter compaixão e acima de tudo, ter a capacidade de perdoar e como era possível perdoar, sempre.

Nesse ano o acústico dela saiu também. Outro CD que eu ouvi quase até furar. Ainda tenho ele mas tá tão arranhado que nem presta mais pra nada. Eu lembro de caminhar até o costão da praia, sentar nas pedras lá e ficar o dia todo. A maior parte das músicas eu intercalava, entre estúdio e acústico. Duas músicas, no entanto, que só tinham nesse CD, também entraram na minha trilha sonora. O cover de “King of Pain” do The Police e “No pressure over capuccino” A primeira parecia que tinha muito a dizer sobre ela e parecia falar de que acontecem mil coisas ao nosso redor e que a gente sempre se encontra em lugares onde a gente já esteve antes, mas sempre é diferente.  Já a segunda me fazia pensar muito nessa coisa de como é horrível quando as pessoas não dão bola pra você, quando não só são incapazes de te incentivar como ainda te colocam pra baixo, fazendo você perder a fé em você mesmo. Uma questão pessoal complicada…

Mas em 2000 desandaram… aquela coisa toda, perder amigos próximos, terminar o primeiro namoro, tudo foi muito pesado e no final ainda, reprovei na escola… e aí o cd mais uma vez virou trilha sonora. Especialmente “Can’t not“, “I was Hoping“, “One” que estavam  mais relacionadas mesmo à terminar amizades, aos mau-entedidos que resultaram disso, de ter que ir pra escola todos os dias e sempre sentir como se eu estivesse a ponto de desmoronar, que a imagem que eu passava era mesmo um castelo de cartas, se qualquer um aparecesse e soprasse do jeito certo, eu desabava. Eu andava chata e carente e covarde e repetitiva… E aí eu ouvia “That I would be Good” porque eu me sentia um lixo e não entendia bem o que tinha acontecido com a minha vida em questão de poucos meses, eu tinha tudo e depois não tinha nada.

Acima de tudo, foi a primeira vez que eu gostei muito de alguém e relutantemente eu aprendi a acreditar em coisas, em planejar e fazer investimentos emocionais, o que sempre foi uma dificuldade e claro, quando a gente é adolescente tudo é intenso e importante (dependendo do tipo de adolescente que você foi, lógico). Eu precisava entender o que eu tinha feito pra afastar as pessoas que eu gostava, na verdade, hoje eu penso assim, no que eu fiz. Antes era sempre “por que fizeram isso comigo? Por que ó Deus, eu me pergunto” e “Are You Still Mad” é definitivamente a trilha sonora da minha fase de vingança, da minha fase stalker, de querer consertar algo que já não tinha mais concerto, acho que o desespero faz a gente achar que ficar por perto e fazer tentativas e pressionar e se vitimizar vai ajudar.

Essa mesma música também foi grande pra mim no futuro, bem mais frente, nas minhas crises do último namoro. Mas era diferente, também me fazia sentir raiva, como se eu estivesse esfregrando algo na cara dele, reação de frustração e falta de atenção, sabe? Essa música veio e voltou muitas vezes ao longo dos anos.. Are you still mad I kicked you out of bed?/Are you still mad I gave you ultimatums?/Are you still mad I compared you to all my forty year old male friends?/Are you still mad I shared our problems
with everybody?/Are you still mad I had an emotional affair?
/Are you still mad I tried to mold you into
who I wanted you to be?/Are you still mad I didn’t trust your intentions? of course you are, of course you are/ Are you still mad that I flirted wildly?/ Are you still mad I had a tendency to mother you?/Are you still mad that I had one foot out of the door?/Are you still mad that we slept together even after
we had ended it?/of course you are, of course you are./
Are you still mad I wore the pants most of the time?/Are you still mad that I seemed to focus/ Only on your potential?/ Are you still mad that I threw in the towel?/ Are you still mad that I gave up long before you did?/ of course you are, of course you are.

Mais uma vez, não era só eu que tinha passado por isso, eu nunca soube, afinal, se na música ela está se desculpando, ou se lamentando, ou preocupada se ele sentiu essas coisas que ela fez, se ela quer consertar e voltar…

Mas, voltando no começo da história…Quando eu finalmente estava entrando num processo de cura, digamos assim, que eu estava devagarinho retomando as rédeas da minha vida, Uninvited virou o centro de novo. Foi mais uma daquelas situações em que parecia que aquela música era sobre mim, mas de um jeito diferente. Uninvited no sentido de tal pessoa ter sido desconvidada, de não ser mais bem vinda e de que eu não a achava ruim, mas que eu precisava de tempo pra conseguir aceita-la de volta na minha vida. Eu entendia exatamente o que ela dizia com: “Must be strangely exciting to watch the stoic squirm“  e eu ficava com muito ódio quando eu ouvia ela dizer “You speak of my love like you have experienced love like mine before” Eu não consigo lembrar de nenhuma outra música que me fizesse sentir coisas intensamente como raiva e cansaço emocional, um esgotamento por estar lutando contra algo que eu não entendia.

Quando eu reparei na intensidade, eu ouvia essa música. Finalmente, “Unsent” me fez começar a pensar que essas coisas de terminar aconteciam mesmo e, se as outras pessoas sobreviveram e seguiram em frente (mesmo eu não entendo como isso era possível) mas, cada vez que ela falava de um outro ex-namorado eu lembrava que eu tive outros namorinhos que tinham feito diferença, no começo eu não conseguia aceitar mas, quando eu ouvia ela cantar: “Dear Jonathan, I liked you too much, I used to be attracted to boys who would lie to me (…)” e eu lembrava de algumas situações meio desagradáveis dos tempos de colégio…
Dear Lou, we learned so much, I realize we won’t be able to talk for some time and I understand that, as do you(…)” eu lembrava de alguém (com quem eu ainda não posso falar, na verdade) e “The long distance thing was the hardest and we did as well as we could, we were together during a very tumultuous time in our lives(…)” Era complicado pra mim admitir que a gente fez o melhor que pode mesmo e que era um momento muito complicado mesmo. No final, cada uma dessas pessoas que passaram pela vida dela, passaram pela minha também. Eu fiquei triste porque eu percebi que isso era comum, que não era mais tão sofrido e especial assim mas, essa mesma razão me fez sentir tão menos sozinha e tão mais melhor.

Love is Just a Game.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 2:26 pm

O amor é uma merda. A sensação de borboletas no estômago sem o sentimento deve ser uma das piores coisas pra se sentir. A ansiedade e expectativa só são suportáveis por causa do que se sente num outro nível, por causa de todas as “quimicidades”  occorendo no nosso cérebro. Tudo bem, parece que eu estou desmerecendo totalmente o amor… Não é bem assim.Mas amar exige muito das pessoas, fisicamente e mentalmente, ao mesmo tempo que é muito bom, é muito ruim.

Desde que eu cheguei aqui meu celular acabou virando hotline. De repente todo mundo estava ou casando, ou casado, ou separando ou separado, pensando se casava ou comprava uma bicicleta… precisando se descobrir pra daí decidir se ficava ou se ia em frente. As pessoas que eu conheci aqui também foi a mesma coisa. Não foi só com a minha família e o divórcio deles, também as meninas que eu conheci aqui… E obvio, eu nao me importo de ajudar, é bom, me faz pensar em mais coisas…

* O Esforço: Por alguma razão a gente se sente obrigado à fazer coisas as vezes. Acontece, pelo menos de vez em quando, de a gente achar que nós é quem precisamos mudar e nos ajustar. Se nós não estamos contantes então com certeza o problema é com a gente. A porta é a serventia da casa e o carro tem ar condicionado então, boa sorte. Vamos ao encontro de pessoas que não gostamos, participamos de eventos que não nos interessam e ouvimos histórias e músicas sem graça porque afinal, o que que custa?

Nos enganamos constantemente, nos esforçamos ao ponto de acreditar mesmo que fazemos as coisas pro outro porque isso nos deixa feliz e não precisamos de absolutamente nada em troca. Absolutamente não estamos esperando reconhecimento ou uma supresa ou café na cama, fazemos porque gostamos de agradar a quem amamos, nada mais certo.

Por alguma razão existe uma facilidade incrível em ignorar as diferenças que farão diferença daqui há um tempo, de disfarçar as imperfeições que temos vergonha de admitir que nos incomoda, achando talvez que amanhã vai passar. Ou achamos simplesmente que não é justo julgar ou cobrar isso de alguém. Como pode, uma esposa cobrar do marido que ele arranje emprego? Ele acabou de ser demitido há três meses e levou um dia inteiro pra criar uma conta no Gmail que ele ainda precisou de ajuda. É muita pressão.. como pode você ser sem coração e não perceber que ele está num momento difícil?  Como pode você abandonar alguém só porque essa pessoa tem crenças diferentes das suas? Se você é desse tipo.. que abandona.. Isso te faz ser egoísta ou ver as coisas como elas são e seguir em frente?

Com o tempo, sacrificar a sua felicidade se confunde com sacrificar a felicidade do outro.  Com o esforço vem a cegueira e a paciência. Daí pra frente é só down hill.

A Mudança: Se as coisas não andam bem fica claro que mudanças precisam ser feitas. Alguém vai ter que ceder e, lógico, existem os mais diferentes casos… Existem casais que mudam juntos, casais que não mudam nunca, casais em que um muda o outro e casais onde o elo mais fraco sempre dá um jeito. O problema é que tudo tem limite e, se não for por conversa, a frustração e o sacrificio vai se expressar de alguma forma.

Isso me faz pensar que, eu não sei se eu fico puta ou se admiro aquelas velinhas que, depois de 60 anos casados com um marido frio, grosso e alcoolatra, dizem que “agora sim elas são independentes” depois que ele morre. Tudo bem.. diferencas culturais… “até que a morte” os separe tinha outro significado naquele tempo… verdade mas, ainda assim, tinha gente que tomava providências.

O Sol e a Peneira: Disfarçar só dura até um certo tempo. Eu acredito que é impossível projetar uma imagem de sucesso pra sempre se não existe nada atrás daquilo ali. Mas, alguma coisa acontece… Um pânico, um medo de não ser bom o suficiente, uma insegurança inexplicável que te faz viver de migalhas, te fazendo acreditar que tá com o bolo inteiro.

Eu ainda não conheci ninguém que não tenha passado por isso, que não tenha se contentado com migalhas de atenção e de tempo e que realmente pensou que precisava agüentar aquilo. Eu não sei o que acontece, é como se a gente só conhecesse aquilo e não conseguisse ver nada melhor e diferente depois daquilo então melhor mesmo é ficar com o incerto (ou o duvidoso nesse caso). É realmente como se não houvesse mais nada depois disso, que é o melhor que você pode conseguir. Existe uma falta total de respeito e amor próprios.. Ouvimos coisas que não merecemos, fazemos coisas contra nossa vontade mas motivados por sentimentos de angústia e de ansiedade provocados por um medo ridículo de que aquela pessoa, a das migalhas, vai te deixar.

O que eu conclui é que, realmente.. não existe nada pior do que indiferença, pra qualquer pessoa. Agora… pior que indiferença comum é a indiferença de gente que nós gostamos ou nos importamos. E eu acho sim que pessoas inseguras atraem pessoas “indiferentes”. Acredito que grande parte das pessoas inseguras quer algo seguro e aí se perde na dose de estar presente e de amar e de participar. Ao ponto que a outra pessoa sente, de alguma forma, que não precisa contribuir… Como não falta nada, não tem o que conquistar, o que cultivar… tá tudo bem. A pessoa tá ali e me ama e me mostra isso todo dia e… fica chato.

Bloco do Eu Sozinho: Não conheço ninguém que queira ser sozinho. Pode não admitir, mas todo mundo quer algumda coisa.. alguém e isso pode acelerar bastante o processo de aceitação de coisas, de ver o que não existe. De conseguir criar uma imagem dum quebra cabeças quase que totalmente incompleto, aí você mesmo faz peças novas e coloca onde faltam. As vezes o que a gente idealizou ficar tão óbvio e claro na nossa cabeça que, quando a pessoa de verdade faz aquela merda que ela sempre faz, a gente se desilude e se frustra, como se fosse a primeira vez. É o poder da mente humana.

A solidão não precisa vir necessariamente de alguém solteiro. Vem de namorado, de noivo, de casado…Eu tenho certeza que existem pessoas que eu conheço que fizeram isso. Que casaram pra não ficarem sozinhas, que se juntaram com alguém que eles podiam contar, que é mais um amor…diferente, sem envolver paixão… tem sexo e tem coisas de namorado mas essa não é definitivamente uma das razões de porque eles casaram. Eles carasam porque se entendem, porque é simples e fácil e seguro.

O cara inteligente e bonito e legal que namorada com uma menina baixinha e chata, que não sabe nada de nada e passa muito menos tempo lendo do que fazendo prancha no cabelo. Que fica preocupada se caipirinha com adoçante engorda e que precisa de atenção e sai chorando das festas sem motivo algum.Ela é bonita e então vale a pena segurar… ou “já que a gente já tá aqui mesmo…”  ou simplesmente o sexo seguro…  Mas sempre tem alguém na vida dessas mesmas pessoas, eu imagino, que mexe com elas… e que são uma espécie de kriptonita. Eles tomam riscos por essa pessoa, tentam ficar com essa pessoa, dormem com essa pessoa… mas não conseguem largar aquele porto seguro.. É como sair todo o dia pra comer arroz com feijão e comer comida chinesa de vez em quando. Um conhecido meu disse uma vez que… é como ter uma casa de praia mas morar na cidade. Tem vezes que você simplesmente precisa ir pra praia, que ficar em casa te sufoca.

Os Vários Tons De Amarelo: É difícil quando alguém não gosta da gente e, eu acho que todo mundo se importa sim com o que os outros pensam. O que muda é a intensidade do pensamento. Se você está bem e feliz e com alguém que te ama e blá blá blá… as chances de qualquer pessoa te dizer qualquer coisa e você não ligar são grandes, mas acho que ainda acontece, em algum nível. Quando uma pessoa simplesmente não vai com a nossa cara já pode ser bem difícil agora, você voluntariamente e conscientemente provocar uma situação onde uma pessoa pode te odiar muito muito muito, mesmo que temporariamente, é horrível. Aí o que a gente faz? A gente diz que o problema não é com elas, é com a gente.

A gente diz que, se tivesse um remedio pra curar/evitar essa dor… e que eu te amo, mas agora não é o momento… Ou colocar a culpa no pai, na måe, na distância, no pasto da igreja, na mulher do bairro que benze e lê carta… Acontece algo entre o nosso cérebro e a nossa boca que trava, que impede que sejamos sinceros e aí colocamos no cú de alguém, de alguma coisa ou de alguma entidade. E novamente, todo mundo já fez mas quase ninguém admite. Sim, o problema é você, não dá mais, te desejo tudo de bom mas não comigo. Isso é difícil demais… Acho que rola uma coisa do ego… de alguém sofrer pela gente enquanto nos sentimos livres no topo do mundo. Deve ser quase pela mesma razão que algumas pessoas mantém “estepes”  no caso do plano A, do atual não dar certo.

Talvez a única coisa pior do que amarelar é o constante amadorismo do amarelo. A falta de tato e de criatividade… quer dizer, criatividade até tem, mas fica tão na cara que foi uma desculpa que chega até a ser mais ofensivo do que a verdade em si. E isso acontece todo o santo dia.

Setembro 18, 2008

Pockets full of sunshine.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 6:37 pm

Descobri meu significado pra essa frase. Se eh que antes ela já tinha algum significado qualquer. Acho que pessoas precisam errar sempre, o tempo todo, mesmo acreditando que não estão certas. uma coisa do tipo, é preferível viver perto dos pássaros do que passar a vida toda querendo ter asas. É se adaptar e aceitar o que se tem e o que vem por aí.

Tenho uma sensação nova de cumplicidade e uma certa harmonia, vontade de ter coisas só minhas, que acabam se tornando preciosas porque são só minhas. Eu me arrependo bastante de uma porção de coisas que eu disse mas, acho que no momento eu não tive outra opção, ou não sabia lidar melhor com aquilo. Nesse ponto eu sou ingênua sempre, acho que todo mundo pode guardar um segredo. A verdade é que, uma vez que você mesmo passou pra frente e disse que era segredo, deixou de ser segredo.  Existem pouquíssimas pessoas que, se lessem isso e me dissessem algo “que bom que vc entendeu”  ou retribuíssem com um sorriso, eu não veria como hipócrita, acho.  Eu me autorizei ser intolerante e agora preciso tone it down a notch. Preciso encontrar um equilíbrio, mas a verdade é que eu não consigo mais com cegueiras. Não há absolutamente nada de errado em não saber coisas, o que é errado é insistir que sabe, mesmo não sabendo. Talvez seja uma questão de orgulho, não sei. Mas não consigo com isso.

Eu vim pra cá pra aprender coisas, aprender coisas sobre mim, tirar o lençol que me empedia de ver as minhas possibilidades e minhas capacidade, rever valores e descobrir um monte de coisas que eu já sabia.  Eu reclamo mas eu sou assim mesmo, eu estou feliz. Feliz porque eu vim, feliz porque eu fico triste, feliz porque eu quero ir embora, feliz porque logo eu vou embora, feliz porque eu descobri coisinhas que achei que tivesse perdido ou que nunca tivesse tido. Meus raios de sol.

I Think It’s Perfectly Clear, We’re In The Wrong Band.

Arquivado em: Eu e coisas — Tags:, , , , — Caroline @ 3:05 pm

Eu acho que todo mundo passa pelas mesmas fases, acho que muitas coisas no processo de crescer e amadurecer são padrão. Eu sou uma das meninas mais velhas aqui e vejo coisas acontecendo com as mais novas que não me entra na cabeça. Mas no fundo ouço meu pai falando que ele só pega no meu pé porque ele nao queria que eu precisasse errar pra aprender, ele queria que eu ouvisse ele o suficiente pra não precisar passar pela situação em si. Acho que quanto mais velho a gente fica, mais a gente pensa que pode mostrar as coisas, antes que as pessoas mais novas tenham que passar pela mesma coisa.

Tenho pensado muito que, mesmo com os altos e baixos, eu fico muito feliz por ter vindo, por ter conseguido ter essa experiência, me sinto tão melhor, tão mais capaz. Ao mesmo tempo que perceber algumas coisas a mais sobre as pessoas pode ser um peso, também é uma vantagem. Aprendi tanto aqui. E adquiri sensações novas também. Acho que eu sou hiperativa, que tenho problemas relacionados a deficit de atenção, não consigo parar num mesmo lugar, não consigo ler um livro só até o final, preciso ler três coisas ao mesmo tempo enquanto vejo TV e ouço alguém ter uma conversa com uma terceira pessoa. Acho que eu sou cidadã do mundo e quero sim viajar o máximo possível, mesmo que pra isso eu viva num ovinho de cordona longe do centro da cidade onde eu escolher viver.  Tenho tido essa sensação constante de peixe fora d’agua, de amante de ópera numa roda de pagode… Mas estou aceitando que eu não preciso me ajustr, que eu não preciso saber.

O programa de au pair é limitado demais pra mim, sim. Eu não fui feita pra isso e tá tudo bem. Aprendi tanto. É verdade o que você diz, é possível controlar nossos comportamentos, manipular nossas primeiros primeiros sentimentos impulsivos, mas se fosse assim fácil, B.F. Skinner teria razão quando quis criar o Behaviorismo e dizer que os comportamentos não precisam levar em consideração os sentimentos. Eu ainda não consigo ver assim. Se fosse assim ciúme e ansiedade por exemplo, não fariam tanta diferença (lógico que isso é só um grãozinho de areia na imensidão do assunto)  Ou talvez a questão com a ansiedade é uma coisa minha.. uma arvore que impede que eu veja o resto da floresta, que não me deixe explorar uma coisa de cada vez. Hoje eu acredito nas fases, quero tentar aproveitar o pior delas, tentando analisar tudo, querendo saber que eu posso aproveitar tudo que eu aprendi delas depois.  A gente não precisa dividir o pão com todo mundo, mas a gente pode passar a receita à diante, se quiser.

Eu descobri que passar julgamento é tão mais fácil e mais automático do que a gente pensa, ou se preocupa em pensar.We take the trees for the forest so rapidlty and so much more easily than we know. We’re so blind by how we feel about ourselves it’s amazing and pathetic at the same time. We put the kibosh on things for sheer blindness, caused by our own defective egos… that we take instantly as perfectly shaped and without need of constant update. I’m glad I realize it needs constant fixing. I’m not saying I see the whole forest, I’m not saying I realize eveyrthing, that I see every single flaw and every single thing that is in need of repair. No one does. That’s what I’m proud to be aware of. In a way I’m proud of knowing I can only see so much and that I’m stubborn at the same time, to acknowledge I can’t do it all and see it all by myself. I’m not a fan of exclamation marks and I hope people don’t feel that way about me, I’m into quotation marks and dots. And, despite of what other people think, I don’t like colors, I like being perky in my own shades of gray.

Fico feliz de querer hoje manter mais coisas na caixinha. I’ve got sunshine in a bag.

Setembro 17, 2008

Beast Of Burden.

Arquivado em: The job, Uncategorized — Caroline @ 1:39 pm

Ultimamente eu tenho pensado naquela coisa do palhaço e do dono do circo, mas não só em relacionamentos, em tudo. A verdade é que não existe seleção natural entre seres humanos. Existe algo mais cujo nome eu ainda não consegui inventar.

Existe uma pré-disposição geográfica, um empurrãozinho involuntário e afortunado e algum timing constituído de pura coincidência, talvez exista sorte afinal. Mas, como 99% das pessoas, quando maior a fortuna, mais fluorescente os acasos precisam ser. Digo, se eu achar 10 dólares no chão eu vou ter uma reação bem diferente da do Donald Trump por exemplo.

Descobri que inteligência não precisa ser uma coisa. Pode ser um fator de exclusão e um fator-no-meio-do-caminho-tinha-uma-pedra. E descobri que ás vezes você precisa aceitar, se o estupro é inevitável e se a pessoa a qual você é subordinada não consegue ver um palmo na frente do nariz.

Eu não estou dizendo, nunca, que o programa é horrível, que as famílias são más e ruins e sem consideração e nem que a minha necessariamente é. Pra mim, de acordo com os meus princípios e do jeito que eu fui criada, essa família definitivamente não me é um encaixe perfeito mas isso não me impede de cumprir com o que eu me comprometi.  Eu decidi ver tudo como um desafio, como um labirinto que eu resolvi entrar e quero sair, sozinha, do modo que foi combinado. Ontem tivemos um problema com uma das au pairs brasileira que é amiga nossa mas de outra agência. A família dela tem ela mais como “dama de companhia” do que como au pair. A mãe está sempre em casa e as criancas, duas meninas pequenas, exigem bastante em termos de atenção. Em outras palavras, é preciso ser um monge e ao mesmo tempo o coelinho da duracel pra dar conta. Nossa amiga, felizmente, tem os dois. Eu nunca havia conhecido alguém com uma atitude tão positiva sobre a vida e as pessoas. Ela sempre te faz sentir melhor, independente da situação.

Enfim, parece mentira e exagero mas, com o tempo, algumas famílias parecem que perdem a noção de limite, de quais são as nossas obrigações e quais são as coisas que a gente não tem nada a ver com. Algumas famílias acham que só porque você tem um quarto com banheiro ou porque eles têm uma empregada em casa que limpa até seu quarto você deveria ser é mais do que agradecida e demonstrar isso com mais trabalho ou se disponibilizando pra trabalhar mais horas ou ficar em casa no final de semana…O que aconteceu com a essa nossa amiga é que a família criou uma dependência dela como se ela fosse propriedade deles. Desde a hora de sair até a hora de voltar pra casa, mesmo nos finais de semana, fazer ela viajar em cima da hora, mesmo quando ela tinha planos… Eu sei que pode ser pouca coisa e que assim pode soar como uma simples falta de disponibilidade. O problema é que quando isso continua acontecendo durante um ano inteiro… começa a sufocar. Essas pessoas são completamente responsáveis pela sua estadia na casa deles, no país deles. Eles vão determinar seu futuro enquanto você quiser ficar aqui, legalmente.

É claro que existe a opção de re-match. Que ou você ou a família percebem que não está funcionando e então decidem trocar de au pair, ou de família. Mas essa transação é bem menos pacífica do que se imagina, mas é uma coisa 50/50. No caso dessa nossa amiga, ela vai ter que manter a calma e engolir sapo pra conseguir se virar. Algumas famílias aqui tem o rei na barriga, tratam as au pairs como menos que empregadas. A região onde a gente mora é bem diferente do resto do país, acho que já comentei isso. Bom.. o que aconteceu foi que a família dela já recebeu a carta da agência, perguntando se eles queriam que ela extendesse o programa com eles. Quando a família foi conversar com ela, ela disse que queria ficar sim, mas que queria ir pruma outra familia. A família que ela quer ir tem uma outra au pair, brasileira e nossa amiga tambem, que tá indo embora mais cedo porque conseguiu um emprego bom no Brasil. A conversa ficou feia. A familia dessa nossa primeira amiga acusou ela de ser gananciosa e de querer trocar de família por causa de dinheiro, porque a outra tinha oferecido mais (o que não é verdade e nem faz sentido, já que isso não é permitido) eu que a menina enganou todo mundo e que tava só esperando o momento certo pra sair da casa, que ela era uma ingrata.  Isso foi ontem… todo mundo está tentando entrar em contato com ela e nada. Ninguém sabe se a dona da casa tirou o celular dela ou nao… se ela vai voltar pra casa ou não…

Qualquer um pode dizer que tudo é mais simples do que parece, que se é difícil então volta pra casa e que a as pessoas devem ter um certo limite e um auto-respeito e não deixarem certos tipos de atitude acontecerem, não aceitar certas coisas e certos comportamentos de outras pessoas. A verdade é que quando a sua vida e suas decisões não estão exatamente nas tuas mãos, é tudo muito mais difícil. Como ter uma conversa sincera e honesta com alguém que não está aberto à isso mesmo quando insiste que está? E pior, não é uma daquelas situações em que você se enche, briga, discute e vai pra sua casa ver TV e esfriar a cabeça. A casa deles é sua casa, se eles não quiserem você na casa deles, eles te mandam embora… E isso é bem assustador quando você está totalmente sozinho e longe de casa.

Setembro 6, 2008

The Space Between.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 10:32 pm

As vezes é difícil até de respirar. Nos finais de semana é parte do contrato que au pairs não trabalham e que elas podem fazer o que quiser no tempo livre que elas têm. O problema é que pra pessoas como eu, que adoooram lagartear em casa, no quarto, lendo e vendo TV e usando a internet, isso pode ser um problema.
Se eu saio de manhã do meu quarto pra pegar café, é quase que de certeza que eu vou esbarrar com uma das crianças, que vão me dizer que estão com sede ou com fome ou querem passar tempo comigo. Eu logicamente não vou negar ajuda… mas como tempo começa a encher o saco, a falta de espaço. Aí você ouve a mãe fora, limpando alguma coisa ou pedindo algo ou fazendo a janta e você sente uma pontinha de desconforto e culpa… talvez você esqueceu de fazer algo ou talvez não fez algo certo… Eu me sinto um pouco mal pela minha host porque ela trabalha, sei la… 11h por dia. Ai nos finais de semana ela tá cozinhando e limpando e fazendo coisas… eu sinto vontade de me oferecer mas, daí pra frente a coisa piora.
Morar onde você trabalha é complicado porque as vezes os limites somem (tenho certeza que já escrevi sobre isso)… E eu já tinha ouvido falar, e sou prova viva de que é verdade que, se você oferece a mão, eles pedem o braço. A única razão pela qual nunca se oferece a mão é porque quando vier o resto, você simplesmente não vai saber dizer “não”, você obviamente não quer entrar numa situação de desconforto com alguém com quem você não só mora, mas depende. Se essas pessoas enchem o saco de você, se você pisa na bola… ou você volta ou você troca de família e, sait da família em que você está pode levar, pelo menos, duas semanas. Duas semanas podem passar como dois anos dependendo da situação na qual você entrou (sendo você a vitima ou não).
Uma das coisas que eu acho que eu aprendi é jogo de cintura e pressão. Todo dia pode ser o último dia, pra qualquer au pair. Você é parte da família até o momento em que você não é o que eles esperavam.
Então, os fins de semana passam cada vez mais rápido e com o tempo você aproveita cada vez menos… ai ai :)

Setembro 1, 2008

Do I look like a Fuckin people person?

Arquivado em: Curiosidades...or not., Eu e coisas, NYC, Viva La America!!! — Caroline @ 6:35 pm

Há seis meses hoje eu estava me preparando psicológicamente pra viajar, sim.. seis meses dia 3 já. Eu realmente não sei como a maioria das pessoas se sente com relação aos EUA porque eu nunca quis vir pra cá, digo, nunca foi um sonho vir pra cá.
Cada dia que passa eu gosto mais do meu país, sinto mais falta dos meus amigos e das minhas coisas e dou mais valor pras pequenas insignificâncias daí. A cada dia eu sinto que eu estou mais próxima dos objetivos que eu tinha antes de vir pra cá, as coisas que eu queria aprender, entender e conquistar. Eu hoje acredito que eu estou no caminho de ser uma pessoa melhor, não só comigo mas com os outros. Aparentemente algumas pessoas precisam a distância de um continente pra ver algumas coisas, outras não.

bom… Hoje é Labor Day aqui, dia do trabalho. Estou de folga, em casa, de pijama. Assistindo à maratona de Barrados no baile, que comecou à meia noite e vai até a meia-noite de hoje. Até pensei em ir ao cinema mas aí eu vi o everest de roupas minhas que eu preciso lavar, o fato de que está muito quente pra eu andar e bem.. Beverly Hills 90210 na TV… não vou sair. Vou aproveitar essa paz e esse silêncio o máximo possível ahaha . Além do que, essa maratona é pra celebrar a estréia do novo 90210 amanha, to empolgada e curiosa. Eu não sei… ainda sou daquela opinião que em time que tá ganhando não se mexe… Mas vou esperar pra ver. Ontem eu vi esse outdoor gigante na Times Square da série, é só o que as pessoas falam aqui.
Eu acho que a minha host já fez a fila andar. é o segundo final de semana dela sem as crianças e ela simplesmente zarpa. Pega o carro e só volta no último horário de domingo ou, nesse caso, de segunda.

Ontem foi Brazilian Day aqui em NYC. Eu tenho a impressão que isso é coisa da globo, porque eles totalmente dominaram as apresentações, o marketing, tudo. Foi divertido.. é uma mistura de carnaval com oktoberfest com povão correndo atrás de trio elétrico. Toda vez que eu escrevo sobre outros brasileiros aqui na região onde eu moro, eu corro o risco de soar blasé, como se eu me achasse melhor… mas é complicado explicar sem parecer que eu penso assim. A grande parte dos brasileiros que vivem aqui é povão, que mal sabe ler ou escrever às vezes e que juntaram 10 mil dólares pra ter alguém no México colocando eles pra dentro do país ilegalmente. A maioria dos brasileiros que eu conheci aqui nem inglês fala (e não são super fluentes em português também). Andam de BMW e Mercedez, coisa que eles nunca vão pode fazer no Brasil. É povão mesmo, rapazes com brincos de brilhante com o símbolo da chanel, óculos escuros espelhados, uma versão hispanico-brasileira manbembe, exagerada e brega, demais.
O brazilian day foi quase um domingo livre. Muita guria piriguete, muito rapaz nojento, muito velho nojento e muita tia fora de forma com calça stretch e cintura baixa.
Eu fiquei realmente apavora quando eu me vi tentando frenéticamente tirar fotos da Fernanda Lima e do André Marques (o mocotó)… Foi a cena mais engraçada. Quando eu me dei por conta que eu estava me cotovelando pra tirar uma foto de alguém que eu normalmente nem considero… eu fiquei preocupada.. baixei a minha camera, olhei pro chão e depois pra frente e pensei ” Meu Deus…” Eu fiquei com medo pela minha vida, minha reputação e a minha dignidade. Só porque eu estou em águas internacionais não significa que eu posso entrar nessa. Tá louco, foi traumatizante. Das bandas que tocaram: Jorge BenJor, Lulu Santos e Banda Eva. Foi assim em ordem descrescente… Lógico que a maioria das pessoas achou Jorge BenJor uma perda de tempo, todo mundo se uniu quando o Lulu tocou e só o povão abalou quando a Banda Eva entrou (e aí eu me toquei que o vocal deles é um homem agora.. um toquinho de gente)
Dos famosos presentes… o mocotó, a fernanda lima, a Sara (ex vj da mtv), Lazaro Ramos, Serginho Groissman, Washington Olivetto… ah! E a Elza Soares tava muito doida e apareceu no palco pra cantar o Hino Nacional.. foi uma prova de fogo pros meus ouvidos, mas foi legal.
Acho que o brazilian day provou que eu posso me adaptar… mentira. Odiei :D

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