Não quero nada não, tô só dando uma olhadinha…

Novembro 26, 2008

The Sun Will Come out.

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 3:02 am

Blumenau é um pesadelo vivo, um remake do Furacão Katrina. No Youtube eu vejo gente chorando, com medo e barrancos caindo, levando casas e árvores e provavelmente pessoas. No Orkut eu vejo mil fotos, cada um no seu bairro, da água, das pessoas, dos relhados das casas… E eu não estou lá.

Acho que era inevitável eu começar a pensar em algo totalmente surreal como, destino. E se eu vim pra cá por uma razão? E por quê eu não estou lá? Eu queria poder estar ajudando ou não sei, queria poder fazer alguma coisa. Fiquei impressionada com o poder da internet, blogs com pessoas oferecendo informações, fotos e vídeos… por muito pouco não tornou a imprensa desnecessária (se é que não tornou).

A coisa toda me faz sentir como quando meu avô morreu. A minha cidade está em pedaços. Cada foto que eu vejo nas páginas pessoais de conhecidos me remete à um tal dia ou à um tal ano… ou à uma tal situação… Cada pedaço tem uma história e um significado pra mim que eu nem sabia que tinha. Parece que um pedaço de mim foi e eu nem tive tempo de me despedir porque eu nem sabia que isso estava por vir.

Blumenau tem um histórico de enchentes, mas nunca nada como isso. Nunca com 70 e poucas vítimas e mais de 200 casas destruídas e estradas condenadas e desespero desse tamanho, nunca. Meus pais estão praticamente ilhados, sem luz e sem água potável, assistindo à uma TV 4 polegadas que meu pai ligou na bateria do carro. Numa cidade vizinha, o prefeito ligou chorando pra uma estação de rádio, pedindo ajuda e assistência médica pois só havia um, UM médico na cidade.
Eu sempre tive problemas com religião, com a formação e o processo da coisa, agradecer o que vier de bom e o que vier de ruim, de pedir desculpas por ter pisado na bola mas não entender bem o significado de culpa e entender perfeitamente o mecanismo de colocar a culpa em alguém. Olha a coisa mais irracional… as pessoas, e devem estar aos milhares, numa igreja, pedindo pra que Deus seja mais misericordioso e ajude as pessoas… Por quê a chuva em primeiro lugar????? Viramos Sodoma por acaso? A cidade tá infestada de pecados e pederastas e prostitutas? Me fala se uma situação dessa não faz alguém pensar? É difícil acreditar em disco voador e que o homem pisou na lua mas aparentemente é totalmente aceitável que uma virgem tenha concebido uma criança cujo o pai deixou claro que ele ia sofrer muito, mas que era pro bem dele e era pra absolver todas as pessoas que iriam mata-lo. Que porra é essa?

Tudo bem, raramente eu sou non-sense. Mas eu to com raiva.To com raiva por não estar lá, por não poder ajudar, por isso ter acontecido, to com raiva por não ter tido uma repercussão maior, por Blumenau nunca estar preparada o suficiente pra coisas desse tipo, mesmo tendo um histórico. To com raiva da gente sem vergonha saqueando mercados pra pegar cigarro e cerveja, se aproveitando da oportunidade, to com raiva de ler na internet que a estimativa é de um a dois anos pra restaurar a cidade… Blumenau é a New Orleans da America do Sul.

Novembro 22, 2008

Don’t Fight It (If You Don’t Know What It Is)

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 5:27 pm

Pra ler com: The Panics – Don’t Fight It.

Fiquei pensando o tempo todo no meu último post, acho que a minha descoberta me deixou tão surpresa que ainda não consegui deixar pra lá. Sobre como as pessoas nunca ficam sozinhas. Ontem eu finalmente vi um filme, daqueles pra menina mesmo, 27 Dresses, sobre essa garota que foi dama de honra 27 vezes e nunca casou e sempre tava lá pra todo mundo, ajudando todo mundo, só se ferrando e aparentemente tem um cara que acha a história interessante, se infiltra na vida dela e sem ela saber, ele escreve um artigo prum jornal prestigiado de NY, aí é claro que ela descobre bem no dia que ela tá feliZ por ter passado a noite com cara, eles brigam, ela chora, ficam um tempo separados e nesse tempo ela faz algo totalmente diferente ao que ela faria, quebrando o padrão e dando um passo na vida e, adivinha, o cara tava lá presenciando tudo… pra encurtar, lógicamente eles casam. Mais um derivado de Cinderella Story.

E então fiquei pensando, a maioria das pessoas que vê esses filmes e gosta, no fundo tem vontade de que aquilo acontecesse com ela. A pessoa que se emociona, fica feliz pelo(a) protagonista como se fosse amigo(a) dela(e), mesmo ficando óbvio que vai ser um final feliz, é aquela torcida silenciosa – ou não, pra que ela(e) encontre a felicidade. Quem nunca teve vontade que alguns dias ou alguns momentos tivessem a duração de uma música ou de um filme? Tenho a impressãode que quem escreve histórias e tem um meio de publicar, nesse caso, de mostrar usando pessoas, dando realidade
e movimento à uma fantasia, à um sonho, um final alternativo baseado numa situação não tão feliz… pode ser qualquer coisa, mas quem cria essas histórias provavelmente também gostaria que a vida fosse um filme.

Eu não falo só de filmes sobre o cara que encontra a mocinha, onde 90 minutos são sobre como ela é única e descolada e a história dele é rápida, só pra dar uma idéia. Falo de qualquer filme, falo da interação entre as pessoas, sejam amigas, irmãs, pais e filhos… qualquer coisa. Sonhamos demais, fazemos de menos.

Morar com uma família que não é minha é como ver as coisas por trás de um vidro. A minha família aqui é tipicamente judaica (na verdade você vê que todas as famílias latinas tem esses mesmos traços, mas aqui é mais relacionado à famílias judaicas) Todo mundo sabe da vida de todo mundo, opinião da matriarca, mãe da minha host mom. As crianças a chamam de “Savta” (avó em hebraico – pronuncia-se “Sahfta”) e o avô não apita nada (“Sabba” em hebraico). Pegam o pé do mais novo por ainda não ter casado e não ter netos, sobrecarregam a minha host com proteção e perguntas, já que agora ela se divorciou e está cuidando de tudo sozinha e constantemente comparam a vida deles com a da irmã que está casada e feliz em San Francisco. Só conhecem as pessoas pelo sobrenome e já têm uma idéia da índole da pessoa se ela for de descendência judáica. No final é aquela coisa de achar de mais e ir por esse caminho. Mas acho que aqui todo mundo é assim, o que me fez como isso é horrível.

Eu dei mil voltas, como de costume mas, o que eu queria era mostrar como é fácil não ver a beleza ou o lado positivo de ser um grãozinho de area na imensidão que é o mundo. Eu não posso mudar as coisas, fazer do jeito que eu gostaria, eu ando enojada e sentida com a atitudes que eu tenho visto e não deveria me incomodar tanto mesmo, eu sei. É só que, ironicamente, ver as coisas á distância é como colocar uma lupa sobre as coisas e isso nem sempre traz os resultados que você esperava. Todo mundo espera ser salvo, ser cuidado, ser amado, mesmo que não admita. A maioria sente que viver da aprovação de uma pessoa só é o suficiente, uma vida onde todo mundo nem mais coadjuvante é, são todos figurantes. Sem saber, o então coadjuvante tornou-se personagem principal da sua peça e quando você percebe, aquilo já tinha virado um monólogo e você virou espectador da sua peça. A necessidade de ter um história de filme deixa a gente meio desesperado acho, mesmo que a primeira sensação não seja essa. Todo mundo quer, nem todo mundo reconhece, poucas pessoas conseguem mas a maioria pensa que conseguiu.

Hoje eu sou genuinamente capaz de ser feliz por alguém e admitir que estou feliz e que se pareço invejosa, é verdade mesmo, quem não quer ser feliz quanto tal pessoa? Isso não quer dizer que eu sinta uma inveja destrutiva, de rogar um olho gordo ou algo assim, é inveja boa,é vontade de ter aquelas coisas porque você sabe que merece. E eu entendo que não existe nada pior do que sentir pena de alguém, antes indiferença, antes raiva mas quando se sente pena, não sei se é possível voltar atrás. Pena é o que vem depois da última possibilidade de respeito que dá pra sentir por alguém ou algo. Depois de passar o limite do “coitado” não sei se tem mais alguma coisa.

Novembro 13, 2008

Bouncing Off Clouds

Arquivado em: Eu e coisas, Uncategorized — Caroline @ 4:33 am

Eu não sou mais a mesma pessoa que eu era quando eu vim. Com certeza já fiz algum comentário em cima disso antes mas, não consigo superar isso de como é incrível a limpidez das coisas quando você se coloca num ambiente totalmente estranho. É como pegar um desenho e deixa-lo em preto e branco, pra você poder ver todos os traços e as impressões sem interferências. Eu me conheço um pouco melhor e, eu gosto do que eu estou descobrindo.
Ao mesmo tempo, eu tenho odiado conhecer aquelas pessoas que eu achava que conhecia. Por quê muitos de nós temos o hábito insalubre e auto-destrutivo de romantizar/idealizar relacionamentos? Digo, pode até ser difícil de admitir mas, pelo menos uma vez na vida, qualquer um já foi muito além do limite (o limite chegou a tornar-se um ponto, devido à distância) do respeito próprio, do desprazer… pra agradar/conquistar alguém. Não sei o que acontece que simplesmente tentamos agradar quem nos trata mal, quem nos usa pra como parâmetro de piadas e comentários no mínimo depreciativos. Vamos à longas distâncias pra fazer o indiferente nos notar, por quê?

Eu nunca mais vou menosprezar o poder da força de vontade inconsciente de qualquer pessoa. Sem querer amamos quem nos trata mal com facilidade, achamos que as migalhas são o bolo todo e justificamos pra nós mesmos e pros outros, antes mesmo que emitam uma opinião, todas as coisas desagradáveis que possam ter acontecido. Acho até que isso pode criar um caminho “lógico”, digamos. Você se apaixona por algo que acha que existe, com o tempo percebe que não existe mas deixa assim… as justificativas vão passando de explicações mais ou menos à explicações elaboradas para então justificativas/lamentação – tentando entender porque as coisas não podem ser diferentes… ou simplesmente descascando a pessoa por ser qualquer coisa de insensível e cruel, como se isso já não existisse no começo- e disso, para a jusitficativa/tomada de culpa…, era inevitável não sentir como se você precisasse mudar.

Esses dias eu tava lendo sobre os tipos de amor, nem sabia que isso existia mas, enfim. Eles falavam de quatro tipos basicamente, todos com nomes em grego e, o que mais me chamou a atenção foi um chamado Ludus, que é o amor que só é possível com manipulação onde um está sempre controlando através de manipulação e só se sente amado se o outro está subordinado à isso, só é possível existir uma relação se um é o dono do circo e o outro é o palhaço (deprimido, triste, miserável e completamente dependente). E, repito, se todo mundo não passou por isso ou chegou perto de passar ou ainda vai passar.

No entanto, se em algum momento você consegue sair dessa, e agora eu falo como menina, acho que você desenvolve uma espécie de ressaca emocional onde tudo meio que perde a magia e fica menos “coisa de filme”. Existem muitos “impulsos testosterônicos”, onde se age como o esteriótipo do cara canalha… sai com vários caras mas não faz muito alarde e trata esses caras como meninas, aliás, deixa eu elaborar… Sabe todas aquelas histórias do cara que pega a menina numa balada, vai pra casa com ela, faz o que tem que fazer e despacha a menina? Entao,é disso o que eu falo. Acho também que às vezes pode chegar ao ponto de você ver coisas onde elas não existem ou querer tanto algo completamente diferente que você, sem perceber, cria e vive, até que acaba e você acorda do tal sonho, como diria Ashton Kutcher, “you’ve got punk’d” . Acontece todos os dias.

Eu quero andar sozinha, mas quando andar com outros quero escolher melhor, quero requisitos daqui pra frente, tenho o direito sim de escolher melhor. O primeiro requisito vai ser a habilidade de aprender com os erros, o segundo vai ser a habilidade de compreender palavras e saber quando ouvir e quando escutar. Se não quiser andar comigo, tá tudo bem, mesmo.

A verdade é que as pessoas nunca andam sozinhas. Boa notícia àqueles que vivem de murros em ponta de faca, de burrice (in)voluntária e migalhas de rascunho de outros diários, vocês nunca ficarão sozinhos. A gente sempre ouve, né? Numa discussão acalorada entre um, dois ou vários amigos ou um casal de namorados… que se tal pessoa não mudar a atitude com outras pessoas ou sobre tal coisa, vai acabar sozinho. Não vai não. É como uma peça de teatro, algumas pessoas precisam de mais palco e outras de mais fãs. E o elenco, sempre vai ter um substituto pra cada papel, mesmo quando esse substituto pensa que é um personagem novo, ele geralmente não é. Tem sempre um novo puxa-saco, um novo fofoqueiro, um novo comediante e um novo rabugento, um novo amor…sempre tem. Com o passar da “temporada” ou o personagem principal faz uma nova substituição ou o substituto se cansa daquela peça e parte pra outra. E tá tudo bem porque a vida é assim mesmo, temporadas em peças diferentes. Tem vezes que a peça é um musical cheio de cor e agito e cada nova cena tem uma trilha sonora e tem peças tipo uma ópera dolorida e trágica, que você espera nunca precisar lembrar. E tá tudo bem.
Eu começo a ter medo das pessoas. Eu ainda fico puta da cara por ter gente burra e mesquinha e interesseira que eu conheço e não posso mudar. Acho que fico mais puta comigo por não conseguir deixar pra lá.
São essas óperas que eu estou tentando evitar, não que eu queira viver só de comédia porque isso também não pode ser bom, só preciso de tragédias diferentes.
Te perdi?

Novembro 11, 2008

The Ice Age

Arquivado em: Uncategorized — Caroline @ 4:15 am

Nós somos mais egoístas do que pensamos. Fiquei pensando nisso ontem… conversei com uma amiga que tava me contando sobre um caso mal resolvido dela e ela chegou a conclusão que tudo o que as pessoas passam nos namoros anteriores determinam os namoros futuros, verdade, eu já sabia.

Eu adoro ter a capacidade de perceber algumas coisas que a maioria das pessoas leva mais tempo. Adoro quando as pessoas me dizem “putz, é verdade”. Vivo pra isso. Mas voltando… o egoísmo. Uma das coisas mais comuns é ouvir um amigo reclamando do outro, que anda na coleira e que é um pau mandado. Da amiga reclamando que agora que a outra tem namorado, não precisa mais dela. É verdade. Tanto é verdade que com certeza quando essa primeira começar a namorar, ela  vai sumir também, mesmo que temporariamente. Tão verdade quanto o fato de que o primeiro amigo é muito mais pau mandado que o segundo, só não abre o jogo pra manter o orgulho.

Quando a gente passa pra uma fase dessas, pensa (quando pensa) que os outros tem que ou vão entender.  Eu não sei dizer se isso é bom ou ruim, mas posso dizer que quem reclama é tão egoísta quanto o outro, que se tornou pau mandado ou ausente.  Fiquei pensando como dá trabalho reconhecer todas essas coisas o tempo inteiro, é impossível entender o lado de todo mundo o tempo todo. É uma batalha reconhecer e admitir o egoísmo. É uma batalha maior ainda ter que se explicar quando as pessoas apontam o egoísmo e você de repente fica com receio de talvez estar fazendo uma escolha errada.

Não existem escolhas erradas, existem escolhas. O problema não são as escolhas mas o rumo que se dá a elas. Não dá pra fazer mudanças no que já começou, mas da pra tentar ajeitar o rumo disso e mudar o final se for preciso.

Descobri que as coisas raramente acontecem como a gente planeja, que as pessoas raramente são o que parecem eu que você deve amar muito e confiar em poucos, você é quem deve remar sua própria canoa, mas isso é mais difícil do que parece. As pessoas não são tão más quanto são territoriais e individualistas.

Nem sempre onde você começa é onde você termina. Começo a achar que medo existe sempre, se a gente tivesse certeza de tudo, que graça teria? Eu sei que parece que esse post não vai a lugar algum, mas tenho essa sensação de que cada frase aqui condensa uma dissertação, odeio quando eu tenho essa trava, que eu sinto tudo borbulhando mas nada sai.

Eu fiquei pensando no quanto é bom e ao mesmo tempo péssimo ter alguém que é, ao mesmo tempo, tudo. Marido, namorado, melhor amigo, filho, inimigo, parceiro, sócio, rocha, kriptonita… Eu tenho medo de cair nesse cativeiro, tenho medo de confiar em algo que sempre pode não ser. Ao mesmo tempo, nunca esqueço de um psicólogo me dizendo que, se eu tenho medo é porque eu já tenho idéia do que não fazer e, as chances de eu entrar numa dessas são bem menores do que alguém que não tem esse tipo de percepção.

É só uma vontade de querer antecipar o resultado das minhas escolhas. As vezes eu penso na minha vida agora como “em pausa”. Isso não parece um ano, parece um salto que eu dei, 2008 é quase como um buraco negro pra mim, parece que não foi um ano, parece que foram alguns meses e já foram 8. Fico pensando se eu perdi algum “tempo precisoso” uma daquelas oportunidades que talvez não apareçam mais, no entanto eu tenho uma certeza incrível que eu precisava ter feito o que eu fiz e ficado longe o máximo que eu podia. Sempre tem coisas que você vai odiar e ficar triste quando lembrar, mas sempre vão ter coisas que eu vou sentir falta.

Eu demoraria muito mais tempo pra descobrir que eu posso me virar sozinha, que eu gosto de crianças e que eu sou muito mais coisas do que eu me dou crédito. Tem coisas que só vendo de longe você entende ou percebe. Algumas pessoas não precisam disso outras nem têm essas pilhas de questionamentos diários que podem ser mais altos que o barulho dos carros lá fora. Eu não me conformo quando eu penso em algumas situações e algumas pessoas que eu deixei passar. Eu simplesmente não conseguia ver. 16 semanas, sinto que o gelo começa a derreter.

E é possível dar créditos à uma terceira pessoa pelas mudanças que você faz na sua vida? Eu digo que sim. Eu não falo no sentido de alguém mudar você, isso eu não só acho ridículo como triste e inadmissível. Mas muita gente tem uma Michele Obama na vida. Uma pessoa que te motivou, que tem um jeito de te entender ou de te criticar sem parecer que está criticando, alguém que ficou melhor porque você ajudou. As mudanças que você faz devem primeiro acontecer por sua causa, quando você muda o meio muda. Talvez é por isso que agora faz sentido

Novembro 3, 2008

Highway to Halloween.

Arquivado em: Eu e coisas, NYC, Viva La America!!! — Caroline @ 1:47 am

Acho que qualquer pessoa que consegue ter a oportunidade de passar um ano nos Estados Unidos pensa em algumas coisas que difinitvamente fazer enquanto estiver aqui. Se você conhece a cultura, minimanente que seja, você esperar celebrar o Halloween, o feriado de Ação de Graças e ver a Macy’s Parade aqui em NYC (acho que todo mundo já viu referências sobre na TV ou em desenhos. É um desfile que acontece durante o feriado de ação de graça onde a tradição é ter baloes de ar quente gigantes em forma de desenhos animados, tipo o mickey, charlie brown, stewie do “uma família da pesada”  e assim por diante. Ver o Natal fazer sentido, comemorando com neve de verdade e papai noel e coisas assim.. :) (digo “fazer sentido” porque é meio surreal o nosso natal, num calor de quarenta graus e um cara numa roupa de veludo com a barba pinicando e coçando e a presença marcante do algodão naquele pinheiro de plástico, imitando neve)

Eu simplesmente amei o Halloween, fomos para na balada mais classica de halloween de NYC, no Webster Hall, foi simplesmente demais. É interessante ver como as pessoas se empolgam aqui. Eu odeio, detesto aquela atitude que a gente tem no Brasil de ter vergonha de se fantasiar ou de ter vergonha/medo/insegurança de promover uma festa em que a fantasia não é opcional. Aqui, estar sem fantasia é o que pega mal, tanto que eu até me surpreendi. Quando a gente pegou o metrô pra cidade, eu pensei que nem teria muita gente usando fantasia e todo mundo ficaria nos olhando, mas pelo contrário, como aparecem nas minhas fotos lá no orkut, pouquíssimas pessoas sem fantasia e aqui todo mundo leva isso muito à sério, é só ver as fotos :)

Mas admito que eu não sei se vou me sentir assim bem na próxima festa à fantasia lá no Brasil pode ser um daqueles casos onde eu vou me empolgar, pensando que todo mundo tá achando isso tão massa quanto eu e aí, assim que eu chegar na festa, metade das pessoas vão vir com umas desculpas pífias, dizendo que não deu tempo ou que não teve dinheiro ou que não achou nada legal, logo… uma das poucas coisas que eu vou sentir falta aqui dos Estados Unidos.

Não sei se já falei disso aqui mas, já dei meu aviso que vou embora no final de março, minha hosta já está à procura de uma nova menina, que eu obviamente vou selecionar, mesmo com tudo o que aconteceu, eu tenho muito muito carinho por eles e eu quero que eles fiquem em boas mãos, de preferência melhores que as minhas, eu gosto muito de todos, mesmo do meu host. Quando é que eu poderia fazer todas essas coisas, ter conhecido todas as pessoas, ainda tô muito orgulhosa de ter falado com o Toni Blair, e coisas desse tipo. Sempre tem as desvantagens, como ter ganhado uns quilinhos indesejados, mas isso se perde. Minha cabeça é outra e não vale a pena pirar com isso, é preciso aprender com isso.

Bom, voltando à festa, conheci muita gente interessante e bonita, ganhei muita cerveja de graça, dancei muito e, é conhecido aqui que brasileiros são muito bons de festa, cheguei em casa às 8 da manhã de sábado, só pra se ter uma idéia. A gente ia pruma outra festa ontem á noite mas, sem condições. Eu tava tão morta que andei do clube até a estação de trem sem sapatos, tava de meia calça mas mesmo assim, é preciso muita coragem pra andar descalço em Nova Iorque.

Quando eu voltar, em algum momento, eu vou dar uma festa à fantasia ou uma festa de halloween, e é bom que as pessoas venham vestidas. É bom.

Ah, não posso esquecer dessa….

Semana passada comentei do serviço maravilho da apple quando eu precisei, ontem tive um outro exemplo de atendimento que eu amei. Alugamos Supersize me (aquele documentario do cara que passou um mês comendo mcdonalds), porque uma amiga nossa aqui é viciada em Mc e nunca tinha visto, e paramos no drive thru do mc donalds, obvio, pra comer enquanto assistíamos. O problema é que a gente não checou a sacola antes de sair de lá e quando chegamos na casa dela, deixamos a sacola de lado e ficamos vendo tv e usando o computador até que, quando deu fome e abrimos o saco, vimos que metade do pedido não veio e a outra metade veio errada. Ai resolvemos ir até lá e reclamar, ainda tínhamos a nota e levamos a sacola do mc. Chegamos no drive thru e reclamamos, a mulher nem pediu pra ver a sacola nem nada, já deu o resto do pedido todinho, se a gente quisesse ter mentido, teríamos ganhado tudo de novo, fiquei chocada como as pessoas aqui ainda acreditam na boa fé. Ou é isso ou eles tem tanto daquilo (o que deve ser o caso porque aqui, na compra de um número um, por exemplo, + 1$ e você leva mais um sanduíche e  a maquina de refrigerante fica fora do balcão, ou seja, você pode pegar um refil do seu refrigerante quantas vezes você quiser. That’s the american way.

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