
Por quê que, quando alguém morre a gente têm essa sensação de que deveríamos ter tirado mais tempo das nossas vidas para ter conhecido aquela pessoa melhor? As vezes sentimos uma ponta de culpa por não termos feito ou dito certas coisas à quem se foi. Eu conheço pessoas que tiveram reações exageradas e totalmente forçadas diante da morte de alguém, querendo se passar por pessoas que não foram, que não tiveram interesse em ser até então. Quase como se quisessem mais ou tanta atenção quanto quem partiu.
Voltando ainda à morte do Michael Jackson, uma coisa me chamou a atenção demais. Que ele andava super esquecido, a gente sabe. Que o retorno dele ao showbiz estava sendo encarado de uma forma cômica e com pouca fé, também sabemos. Mas, assim que ele morreu tudo o que ele produziu e o que tinha a cara dele na capa ou na estampa vendeu, vendeu até sumir das prateleiras. No top 10 dos mais vendidos na listinha do itunes, 5 das 10 músicas são do Michael Jackson. Os vídeos mais assistidos do YouTube também têm ele na lista. O que acontece que mexe com o inconsciente coletivo e que de repente precisamos ouvir as músicas, ver os vídeos, jogar Michael Jackson’s Moonwalker…? Essa é o meu questionamento da semana…Será que é culpa por termos pensado coisas horríveis dele enquanto era acusado de abusar menores? Remorso por ter guardado os discos e CDS numa caixa escondida na garagem durante pelo menos dez anos? Claro que essas perguntas são tão relevantes e tem tantas chances de uma resposta eloqüente quanto: Se o Michael do passado tivesse tido a oportunidade de ir até o futuro e ver no que ele iria se tornar, ele teria feito as coisas de outro modo? Enfim… essa era mais uma época que eu gostaria de ter vivido nos EUA. Se pra nós aqui foi impactante imagina lá,onde ele era muito mais constante e tinha um papel muito mais importante na cultura pop e na cultura afro-americana.
Acho que, no fundo, eu esperava que o tratamento contra o envelhecimento que ele fazia há anos fosse funcionar. Que quando eu tivesse sessenta anos (normais e algo bem próximo em bissextos) ele ainda parecesse jovem e ativo. Acho que estou desapontada com as causas e os processos naturais das coisas. Fazia um tempo que eu não me sentia assim.
Junho 30, 2009
What’s Going On?
Junho 29, 2009
Who’s Bad?
Eu fiquei triste que o Michael morreu. Fiquei triste e talvez até levei prum lado estranhamente pessoal, mas não é a primeira vez que eu faço isso, já faz algum tempo que, sempre que eu ouço uma música diferente, vejo um clip inovador ou mais uma novidade da internet eu me pergunto “O que será que o John Lennon iria achar disso?” Tudo bem, talvez isso soe bizarro e maluco, afinal, mesmo que ele ainda tivesse vivo, como é que eu ia saber o que ele acha dessas coisas? Certamente ele não iria ligar me contando.
O fato é que com o John isso começou quando eu descobri que temos algo em comum. Eu vivo com a TV ligada, mesmo que não esteja assistindo, preciso dela ligada. Gosto de ficar zapeando porque é como se fosse uma janela extra no meu quarto, eu posso ver o mundo todo do meu quarto. Eu prefiro ficar um dia todo vendo o Discovery Channel que lendo um livro às vezes. A nossa “semelhança” – e coincidência foi que ele declarou a mesma coisa em uma entrevista e, anos mais tarde a Yoko disse a mesma coisa, sobre como ele adorava a TV ligada o tempo todo, porque assim ele poderia ter uma janela para o mundo do quarto dele.
Do Michael Jackson eu tenho lembranças do Fantástico, quando “Remember the Time” e “Black or White” estrearam lá. Na época em que a MTV não chegava na minha casa. Lembrava da minha vizinha e da minha empregada que tinham posters dele nas portas do armário e de quando ele veio pro Brasil gravar “They don’t Care About Us”. Só que eu lembro também que, pra qualquer coisa boa que ele fazia, 10 coisas bizarras ofuscavam aquela coisa super legal. A imprensa sempre tirou sarro, debochou e duvidou da inocência dele diante de todas aquelas acusações de abuso infantil e pedofilia. A verdade é que não precisa ser um gênio pra entender que ele pensava mesmo que era um Peter Pan. Na hora de cantar, subir num palco e dançar, ele era único, era demais até pra ele mesmo. Inquestionavelmente ele foi um dos últimos mitos da cultura pop que nós temos.
“Scream” ainda é o clip de orçamento mais caro da história (5 milhoes de dólares), “Thriller” ainda é o album mais vendido de todos os tempos. Lógico que, o fato de esses números serem hoje inatingíveis é culpa, em grande parte, da internet e da disponibilização de informação e musicadados em tempo praticamente real. O que ele fez foi transpor limites. Ele criou batidas, ritmos, coreografias e isso é fantástico. Tenho certeza que quase toda essa geração de pop e R&B deve muito à ele.
Agora, voltando ao início, ao que tocou meu lado pessoal… É o seguinte, ele era uma pessoa visívelmente doente e discontente consigo mesmo. Ele não se deixou ajudar e quem garante que lhe foi oferecido? O que se sabe hoje é que ele tinha um pai horrível e abusivo, que controlava cada passo que ele dava. Por ser o mais talentoso dos irmãos foi o mais exigido. Perdeu a infância e a oportunidade de viver as fases da vida. Numa das entrevistas que ele deu, disse que o pai batia se um dos movimentos da coreografia não saísse conforme o ensaiado, imagina o tipo de ambiente que esse cara cresceu. Junto disso ainda vem a fama e as possibilidades infinitias sim, porque todo mundo que é rico e poderoso e influente pode ser e fazer o que quer… E foi o que ele fez. Tentar recuperar algo que não havia como.
Do meu ponto de vista, tudo fica fácil se pensarmos nele como uma criança, tudo o que ele fazia era típico de uma criança de 10, 11 anos. Ele queria andar com outras crianças porque de certo ele achava q tava tendo sua panelinha, com “pessoas” que pensavam e viam o mundo como ele. Sabe quando você tem 10 anos e quer que seu amigo durma na sua casa? É isso que ele fazia. E só é estranho pq ele era um homem de 40 anos. Eu acredito mesmo, sempre acreditei na inocência dele. Acho que as pessoas se aproveitavam dessa ingenuidade infantil dele e tocaram o pau com processos e tudo mais. É evidente que ele seria um alvo lucrativo e óbvio, como entender um comportamento desse num homem? Exceto que ele não achava que tinha essa idade e nem as responsabilidades que vinham com ela.
Em uma outra declaração, Michael diz que as plasticas vieram porque 1) ele não queria se parecer em nada com o pai e 2) o pai o provocava o tempo todo por causa de sua aparência e suas espinhas, dizendo que isso era mais uma coisa que ele havia puxado da mãe. Com o tempo isso o fez mais e mais descontece com a aparência. É mais interessante ainda o comportamento dele se levarmos em conta que ele pensava como criança e tinha as possibilidades de um adulto.
O que me incomoda e me enche de raiva são todas as homenagens, as coberturas, as mensagens de pêsames nos twitters dos famosos nível Lindsay Lohan expressando tristeza e sentimento de perda, como se fosse um membro da família. Quantas dessas pessoas realmente se importavam com ele e não o achavam um esquisitão pedófilo e perturbado? De repente ele virou especial e importante e uma perda irreparável… mas ele tava até o talo de dívidas e sem muitos amigos, aparentemente. Claro que o contrário também seria horrivel, ninguém demonstrar nada e só uma pequena nota esquecida no canto de um jornal… Mas acho que essas pessoas deveriam se esforçar menos pra mostrar qualquer tipo de condolência.
Junho 17, 2009
Flightless Bird, American Mouth.
Às vezes eu tenho isso de sentir uma inveja que não acho que seja inveja e que passa bem logo. Acho que têm sintomas de inveja mas não a coisa em si. Eu já me questionei e trabalhei isso de inveja, desde há uns dois anos atrás quando me disseram que eu era o tal pecado capital em forma de pessoa. Acho que pra ser invejoso, tem que ser mais. É preciso ser um pouco vingativo, auto-destrutivo, mesquinho, egoísta, ignorante até e, o mais importante… não acho que o invejoso considere nem a mínima possibilidade de ter esse sentimento ou características desse sentimento. O invejoso não pensa em momento algum sobre como tal pessoa está feliz da vida, mas sim o fato de ele não estar e de como a vida foi injusta com ele e tudo mais…
Ok, uma introdução meio grande para o que eu queria mesmo falar. Acabei de saber hoje que uma amiga com quem eu não falo há tempos está em Nova Iorque. Eu acho ótimo, fantástico ver fotos que eu também já pude tirar, ver nos olhos dela o fascínio diante do colorido luminoso da Times Square, amar DC.. Pensando bem, não sei agora se é uma saudade, mais que uma inveja.
Eu posso dizer sem problemas que conheço NYC praticamente com a palma da minha mão, conheço os metrôs, senão, sei pedir informações e sei me guiar, sei onde procurar o quê.E é muito diferente viajar à passeio e trabalhar num lugar desse. Ver essas fotos me fez querer voltar, mas com tempo e com pessoas que eu gosto, como ela provavelmente fez.
Ao contrário de Londres, NYC me deixa dividida. Tem coisas que eu lembro que me faziam detestar a cidade, têm outras… Mas NYC me traz a mesma sensação de certeza de voltar que Londres me trazia (e ainda traz) me deixa um pouco triste não ter aproveitado mais, mas me acalma essa sensação segura de que eu não preciso me preocupar, porque eu vou poder voltar.
Junho 13, 2009
The world can try but we can’t change.
Pra ler com: Seabird – Falling for you.
Relacionamentos são uma coisa tão perigosa de se dissertar sobre. Se você está solteiro agora mas teve muitos relacionamentos anteriormente, como você pode falar de namoros felizes e que dão certo se os seus não deram? Ou, você acredita seriamente que o seu relacionamento é o melhor, o mais perfeito, o que vai dar certo e daqui há uns meses descobre que existia uma outra namorada no mesmo relacionamento, não há semanas mas, há meses.
Há pessoas que têm relacionamentos perfeitos, mas não é o suficiente. Existem pessoas que amam de mais ou de menos, que têm ciumes de mais ou de menos, desconfiança ou excesso de confiança demais ou de menos… Quem sou eu, quem é qualquer um, pra dizer o que é bom ou o que é ruim pra alguém. Graças a D’us que, mesmo diante desses questionamentos óbvios nós todos nos aventuramos a comentar sobre o que se passa quando nos entregamos à alguém.
Esses dias eu pensei em algo e, depois que eu coloquei no papel tornou-se a coisa mais óbvia do mundo: quanto mais a gente se apaixona e quebra a cara, mais fácil fica. Menos dói depois, existem mais chances de fazermos escolhas menores no futuro, de sermos menos cegos diante dos deslizes (nossos e do outro)
E hoje, tive outro desses insights. O que quer que seja que a gente sinta por outra pessoa fazer com que a gente ignore – ou queira ignorar – coisas importantes, como a situaçao real e a verdadeira compatibilidade do casal. A gente quer tanto que dê certo que ignora o fato de que um casal pra funcionar tem que ter comunicação, reciprocidade, confiança. O que será que nos leva a tentar fazer funcionar o que simplesmente não vai? Por que nos convencemos que PRECISAMOS mudar quando quem precisa não é você, mas o outro? É como insistir que um par de sapatos 34 tá super confortável num pezinho 38/39… Querer que tal tampa seja nossa tampa quando essa tampa claramente não serve. Eu óbviamente não recrimino, porque eu já fiz isso, quem não fez. Eu quero é saber por quê.
Junho 9, 2009
O Ato Falho, a Reação e o Conserto.
Já fui muito mais apaxonada por psicanálise e, mesmo que hoje eu pense em outras coisas, algumas situações me remetem a psicanálise e como ela faz sentido. Uma delas é o ato falho. O ato falho, consiste basicamente em dizer algo que você não “queria dizer, mas disse” Por exemplo, quando você chama a namorada atual pelo nome da ex. Isso pode significar varias coisas ou coisa nenhuma. Nesse ponto eu amo Freud quando ele diz que “às vezes um charuto é só um charuto” E as vezes não mas, que fique claro, para que o ato falho se configure ele não pode ser intencional.
Agora, se juntarmos o poder do ato falho com o meu timing impecável e com uma situação delicada temos o que eu causei: um desastre de proporções astronomicas, com conseqüências ainda não totalmente conhecidas pelo homem. Essa minha qualidade, de causar desastres com palavras, é o que me impede de manter conversas com crianças e adolescentes, porque eu SEMPRE falo algo desnecessario. Hoje não foi nem com criança e nem com adolescente, mas foi o pior dos atos falhos… E aí, como eu vou explicar algo que eu NÃO quis dizer? Especialmente palavras que nunca me trariam beneficio algum!
Pessoas fazem interpretações diferentes de uma mesma situação e tem habilidades de “move on” e “get over” totalmente diferentes. Apesar de estar pensando em todas as possibilidades de remediar a situação, é inevitavel não pensar o que eu faria se fosse o contrário…
“You fight, you deal with it and move on, otherwise I´ll never have a real relationship…” (monica geller)