Eu fiquei triste que o Michael morreu. Fiquei triste e talvez até levei prum lado estranhamente pessoal, mas não é a primeira vez que eu faço isso, já faz algum tempo que, sempre que eu ouço uma música diferente, vejo um clip inovador ou mais uma novidade da internet eu me pergunto “O que será que o John Lennon iria achar disso?” Tudo bem, talvez isso soe bizarro e maluco, afinal, mesmo que ele ainda tivesse vivo, como é que eu ia saber o que ele acha dessas coisas? Certamente ele não iria ligar me contando.
O fato é que com o John isso começou quando eu descobri que temos algo em comum. Eu vivo com a TV ligada, mesmo que não esteja assistindo, preciso dela ligada. Gosto de ficar zapeando porque é como se fosse uma janela extra no meu quarto, eu posso ver o mundo todo do meu quarto. Eu prefiro ficar um dia todo vendo o Discovery Channel que lendo um livro às vezes. A nossa “semelhança” – e coincidência foi que ele declarou a mesma coisa em uma entrevista e, anos mais tarde a Yoko disse a mesma coisa, sobre como ele adorava a TV ligada o tempo todo, porque assim ele poderia ter uma janela para o mundo do quarto dele.
Do Michael Jackson eu tenho lembranças do Fantástico, quando “Remember the Time” e “Black or White” estrearam lá. Na época em que a MTV não chegava na minha casa. Lembrava da minha vizinha e da minha empregada que tinham posters dele nas portas do armário e de quando ele veio pro Brasil gravar “They don’t Care About Us”. Só que eu lembro também que, pra qualquer coisa boa que ele fazia, 10 coisas bizarras ofuscavam aquela coisa super legal. A imprensa sempre tirou sarro, debochou e duvidou da inocência dele diante de todas aquelas acusações de abuso infantil e pedofilia. A verdade é que não precisa ser um gênio pra entender que ele pensava mesmo que era um Peter Pan. Na hora de cantar, subir num palco e dançar, ele era único, era demais até pra ele mesmo. Inquestionavelmente ele foi um dos últimos mitos da cultura pop que nós temos.
“Scream” ainda é o clip de orçamento mais caro da história (5 milhoes de dólares), “Thriller” ainda é o album mais vendido de todos os tempos. Lógico que, o fato de esses números serem hoje inatingíveis é culpa, em grande parte, da internet e da disponibilização de informação e musicadados em tempo praticamente real. O que ele fez foi transpor limites. Ele criou batidas, ritmos, coreografias e isso é fantástico. Tenho certeza que quase toda essa geração de pop e R&B deve muito à ele.
Agora, voltando ao início, ao que tocou meu lado pessoal… É o seguinte, ele era uma pessoa visívelmente doente e discontente consigo mesmo. Ele não se deixou ajudar e quem garante que lhe foi oferecido? O que se sabe hoje é que ele tinha um pai horrível e abusivo, que controlava cada passo que ele dava. Por ser o mais talentoso dos irmãos foi o mais exigido. Perdeu a infância e a oportunidade de viver as fases da vida. Numa das entrevistas que ele deu, disse que o pai batia se um dos movimentos da coreografia não saísse conforme o ensaiado, imagina o tipo de ambiente que esse cara cresceu. Junto disso ainda vem a fama e as possibilidades infinitias sim, porque todo mundo que é rico e poderoso e influente pode ser e fazer o que quer… E foi o que ele fez. Tentar recuperar algo que não havia como.
Do meu ponto de vista, tudo fica fácil se pensarmos nele como uma criança, tudo o que ele fazia era típico de uma criança de 10, 11 anos. Ele queria andar com outras crianças porque de certo ele achava q tava tendo sua panelinha, com “pessoas” que pensavam e viam o mundo como ele. Sabe quando você tem 10 anos e quer que seu amigo durma na sua casa? É isso que ele fazia. E só é estranho pq ele era um homem de 40 anos. Eu acredito mesmo, sempre acreditei na inocência dele. Acho que as pessoas se aproveitavam dessa ingenuidade infantil dele e tocaram o pau com processos e tudo mais. É evidente que ele seria um alvo lucrativo e óbvio, como entender um comportamento desse num homem? Exceto que ele não achava que tinha essa idade e nem as responsabilidades que vinham com ela.
Em uma outra declaração, Michael diz que as plasticas vieram porque 1) ele não queria se parecer em nada com o pai e 2) o pai o provocava o tempo todo por causa de sua aparência e suas espinhas, dizendo que isso era mais uma coisa que ele havia puxado da mãe. Com o tempo isso o fez mais e mais descontece com a aparência. É mais interessante ainda o comportamento dele se levarmos em conta que ele pensava como criança e tinha as possibilidades de um adulto.
O que me incomoda e me enche de raiva são todas as homenagens, as coberturas, as mensagens de pêsames nos twitters dos famosos nível Lindsay Lohan expressando tristeza e sentimento de perda, como se fosse um membro da família. Quantas dessas pessoas realmente se importavam com ele e não o achavam um esquisitão pedófilo e perturbado? De repente ele virou especial e importante e uma perda irreparável… mas ele tava até o talo de dívidas e sem muitos amigos, aparentemente. Claro que o contrário também seria horrivel, ninguém demonstrar nada e só uma pequena nota esquecida no canto de um jornal… Mas acho que essas pessoas deveriam se esforçar menos pra mostrar qualquer tipo de condolência.
Oi Carol,
certamente, toda história tem seu outro lado. O que conhecemos do Michael Jackson é basicamente os podres. Com a morte, as pessoas resgataram tudo o que ele veio a significar pra cultura da música e, num passe de mágica, esqueceram a história negra dele. Não sei se acredito em sua inocência, mas se ele realmente cometeu os crimes pelos quais foi acusado, sei que existe uma explicação triste por trás. E nesse caso, há de se culpar quem?!
Obrigado pela sua visita no meu blog. Gostei do comentário que deixou! Estou linkando você.
Beijo.
Comentário por Pedro Xavier — Junho 29, 2009 @ 4:53 pm
O Michael Jackson artista e talentoso, é o que deve ser reverenciado. O seu lado pessoal, com dívidas, traumas e processos, diziam respeito sómente à ele. Pena que a mídia adora explorar o lado humano. (Dá Ibope!).
Gostei da tua visita lá no blog. Aparece, tá!
Um abração!
Comentário por Francisco Silveira — Junho 29, 2009 @ 5:35 pm
“o fato de esses números serem hoje inatingíveis é culpa, em grande parte, da internet e da disponibilização de informação” é obvio, mas juro que nunca tinha pensando nisso ou nunca tinha juntado as informações necessárias para chegar nessa conclusão. Podre cantores!
Sobre o que escreveu no post e no meu comentário, concordo. É bem por essa via mesmo. Agora é lindo ficar emocionado, chorar pela morte do astro dos anos 80′ ele era dos anos 80′?
Agora mais do que nunca entendo que a morte é plena
Comentário por Vinicius — Junho 30, 2009 @ 3:17 am