Interessante o que a paixão faz com as pessoas. A paixão, ao mesmo tempo que é bom, pode ser horrível. Dá aquela sensação de nervosismo, ansiedade, borboletas no estômago… As mãos suadas e aquele incômodo constante causado por palavras que você gostaria de dizer, mas ainda não conseguiu. Noites mal dormidas, ciúme infundado, dúvida, frustração e medo que pode levar à situações embaraçosas. Só que isso passa. A paixão não dura para sempre, mas pode ir e vir num mesmo relacionamento. E isso é bom.
Todo mundo, em algum momento, fez alguma coisa por alguém por impulso. Você não queria ter feito exatamente aquilo, mas simplesmente sentiu que precisava fazer alguma coisa. Qual menina nos seus quatorze ou quinze anos que, numa dessas festinhas de colégio (alguém lembra das festas americanas?) ou numa balada qualquer, não foi centenas de vezes ao banheiro só para poder passar na frente de tal menino e ainda fingir que não o viu?
Já em um relacionamento, cabe a analogia do palhaço e o dono do circo. Funciona assim: O palhaço é aquele que faz malabarimos, que está feliz da vida e se declara, te faz passar vergonha até. Te faz surpresas, re-descobriu o quanto te ama e o quanto não pode viver sem você. É aquele que sente mais saudade, que liga mais vezes, que passa por bobo, que não se importa com o que os outros vão dizer, enfim, é o que está mais apaixonado naquele momento. O dono do circo, por sua vez, é aquele que está bem, está feliz, seguro e amando também, mas não se encontra nessa fase eufórica de que precisa demonstrar o que sente o tempo todo e não fica esperando que todo o dia vai ter um desfecho romântico, como nos filmes da Meg Ryan ou da Julia Roberts. Às vezes você é o dono do circo, às vezes é o palhaço. Todo mundo que já esteve em um relacionamento saudável sabe que aquele fogo do início do namoro vai e volta, e tudo bem.
A paixão é o mecanismo que o cérebro criou para nos dar um sinal, meio distorcido às vezes, de que tal pessoa é um excelente candidato (a) para a perpetuação da espécie. Eu não queria soar como um documentário do Discovery Chanel, mas acho que não tem jeito. A verdade é que a paixão não tem nada a ver com o que está na caixa torácica mas sim, entre as orelhas. É o cérebro que capta sensações e cheiros e ativa neurotransmissores que nos fazem sentir de diversas formas, inclusive apaixonados. De acordo com a teoria da evolução, isso acontece quando estamos diante de parceiros em potencial, no caso, os homens mais fortes e as mulheres mais férteis. Ainda em um formato de documentário, proponho o seguinte: pense que, no nosso mundo, a selva africana é uma balada. A maioria das pessoas numa balada está lá pela caça tanto que, se você pensar bem, você escolhe a balada pela música e pelo tipo de pessoa que você pode encontrar lá, ou não? E tudo vale: as cantadas péssimas, olhares fixos deles para elas, mexer no cabelo, fingir que não percebeu que o rapaz ficou olhando para você a noite toda, provocações no jeito de dançar… É maluco e é intenso. Para quem não está dentro do jogo, é quase cômico observar o que se faz durante uma caçada. Tudo isso é passional e pode durar só alguns minutos, outras vezes duram horas ou dias e há vezes em que, sempre que tal pessoas vier à cabeça ou cruzar com você na calçada, um nervosismo toma conta de você, até dizer “oi” torna-se uma questão existencial. Isso acontece porque, como eu disse lá no começo, o seu cérebro produz neurotransmissores que te deixam eufórico, te fazem sentir desejo e excitação e você às vezes faz papel de bobo. Considerando que somos a espécie mais desenvolvida no planeta, era de se esperar que nossos rituais de atração fossem menos desengonçados do que daqueles animais no canal citado, parece que não.
A verdade é a seguinte, quanto mais as pessoas aprendem com suas experiências, menos chances de sofrerem com a paixão. Já reparou que a tendência é sofrer menos ao fim de cada relação? Ficamos mais espertos com o tempo mas, isso não quer dizer que vai chegar o dia em que você não vai mais se apaixonar. Vai sim e sempre.
Paixão, ah a paixão. Como é gostoso se apaixonar, mesmo sabendo que pode ter sofrimento depois, se apaixonar é a coisa mais gostosa do mundo.
Inocente e safada! Um mix perfeito.
Mas, quero falar da analogia do palhaço e do dono do circo. Curti e pensei o seguinte.
É gostoso achar um palhaço sendo o dono do circo, ou um dono do circo se você é um palhaço, mas é péssimo achar um palhaço que acha que você é palhaço e você dá todos os indicativos que é o dono do circo e vice e versa.
Deu para entender?
Comentário por Vinicius — Julho 2, 2009 @ 2:34 am