Então, o tema é sorte… Lógico que isso me levou à viagens mil pelas histórias que eu tenho pra contar né mas, posso dizer que hoje, hoje em dia, eu não acredito em sorte. Não acredito no Segredo, aliás, eu faço questão de só citar o Segredo quando algo irônico ou de certa forma negativo acontece. “Ah o que é o pensamento positivo né? De tanto pensar e ficar com medo, finalmente aconteceu e encontrei uma cobra no meu quintal.. quem disse que o segredo não funciona?” E coisas desse tipo. É pra algumas coisas eu sou meio ranzinza mesmo.
O fato é que hoje eu não acredito em sorte, acredito em escolhas e o melhor que você pode fazer com as decisões que você toma. Em geral, acho que não existem escolhas erradas (tirando claro, aquelas que são óbviamente erradas já de início, não estou falando dessas) estou falando de quando ficamos realmente indecisos porque não há como saber onde cada decisão vai nos levar. Aí sim, quando tudo da certo no fim, achamos que foi um pouco de sorte mesmo, nunca damos crédito para o que podemos fazer, para o real mas sempre pro mágico.
Hávia uma época em que eu dava “créditos místicos” pras coisas, tipo “se eu conseguir pegar esse semáforo verde, é porque eu vou me dar bem na prova amanhã” Eu fazia isso direto, isso e um ritual bobo toda noite antes da minha prova de recuperação em matemática (sim, eu não tenho vergonha de admitir que pegava recuperação desde a 3a série do 1˚grau em matemática… não sirvo pra isso). Eu sentava na varanda e batia papo com D’us, me explicava, O lembrava de algumas coisas excelentes que eu fiz durante o ano e defendia meu caso, justificando porquê eu deveria passar de ano. Até o ano em que isso não funcionou mais e aí contei o resto da história em outro post, sobre como eu não quis mais saber Dele.
Mas enfim, sempre que eu passava eu achava que não era mérito meu, mas sorte. Sorte e empurrão divino. Quando eu escapava duma blitz eu achava que era sorte e quando eu recebia aquela maldita ligação me convocando pra ser mesária em época de eleição, eu pensava que não podia haver azar pior… mas pode ser que um monte de gente ache isso a maior sorte de todas. Não sei se isso é sorte ou azar, sei que isso foi uma escolha e pronto.
Existem poucas coisas que estão longe do nosso controle. tipo ser escolhido pra ser mesário. Mas a maioria delas são responsabilidade nossa. Às vezes eu ouço coisas tipo “meu que sorte que a fulana não contou nada do que eu contei pra ela…” Não sei se isso é uma incrível burrice, contar coisas “importantes” a alguém que você não sabe se pode manter tudo pra si ou falta de atenção mesmo. Primeiro que você precisa tomar tempo pra conhece mehor as pessoas com quem você se relaciona, segundo que segredo não é mais segredo uma vez que você mesmo o passou à diante e terceiro, que se algo parece ser explosivo, guarde pra si.
Esse negócio de sorte pra mim contém aquele elemento chave do ser humano médio: essa mania que a gente tem de não se dar crédito pelo o que nos acontece. A façanha é sempre da sorte, de D’us, da Lua, de Alá. Acredite se quiser mas quem teve menos a ver com o seu sucesso ou fracasso foi D’us. Eu sei, isso dá assunto prum outro post, mas é fato, essa coisa de sorte, hoje pra mim, é mais um dos mecanismos que a gente usa, de forma esquisita, pra nos tirar qualquer responsabilidade. Pense bem, eu estudei pra caramba, ralei, me sacrifiquei, não saí mais pra tomar cerveja, fiz cursinho, agüentei aulão com professor fantasiado de guei e passei no vestibular. E acho que isso não foi mérito meu, que não foi resultado do meu esforço, mas que foi sorte, ou que D’us me guiou. Ou seja, prefiro que qualquer outra coisa mágica ou divina seja responsável pelo meu sucesso, menos eu. Assim como nas coisas negativas, nos azares, talvez não suportemos o peso da responsabilidade real das coisas… Será? Tem dias que eu fico pensando na sorte que eu tenho em ver as coisas dessa forma…
**Essa foi minha contribuição para o blog Posts Temáticos, o tema dessa vez era “Sorte”
Não lembro onde li sobre isso, mas:você pode até acreditar em “desígnios divinos” te levando pra algum lugar, mas tem que admitir que a suposta vontade de D’us é indistinguível do acaso e do fruto de nosso próprio esforço.
Comentário por Gabriel — fevereiro 10, 2010 @ 4:12 pm |
Eu também sou ranzinza com O Segredo! =P
Muito conveniente, a tua reflexão – ainda que eu seja um pouco menos crente do que tu em relação ao controle que temos sobre os fatos.
Teu texto me trouxe questionamentos sobre o assunto.
Ponto pra ti!
É sempre bom te ler!
beijo!
Comentário por Mariana — fevereiro 10, 2010 @ 9:26 pm |
Concordo com a parte infantil ser burrice. Também não acredito em sorte como aquela coisa padrão, sem explicação… como ajuda do divino. Acho que existem coisas que realmente temos sorte… algo mais como as escolhas, conscientes e inconscientes que fizemos nos trouxeram à caminhos bons ou melhores afortunados que outros… acho que a “sorte” tem mais a ver com as escolhas inconscientes que conscientes; a teoria do caos.
Comentário por Felippe — fevereiro 11, 2010 @ 1:08 pm |