Há uns 4 anos atrás eu comprei um baixo, como esse da foto, igualzinho. Me convenci de que, se dispendesse essa quantia significativa de dinheiro no instrumento, me sentiria obrigada a aprender a tocá-lo. Lógico que não foi assim. O erro número um foi tentar aprender com alguém com quem tenho vínculo e um nível diferenciado de respeito, no caso, o namorado. Na primeira vez, ele ficou brabo, tentou ser mais que paciente, não funcionou. Por um momento achei que ele jogaria o violão dele pela janela de tanto ódio. Aparentemente a minha reação diante dele fora tida como impaciente e arrogante. Acho que é uma daquelas situações em que eu devia respeitar o instrumento. Até ser chamada de impaciente, tudo bem, aceito. Mas arrogante… concluí que se eu realmente fosse arrogante, não me sentiria mal com alguém me dizendo isso, no fim das contas. Ou quem sabe, eu finalmente superei minhas inseguranças e fiquei mais decidida, mais objetiva, mais sem paciência = arrogante. Mas isso eu iria gostar também, oh well…
O fato é que eu nunca consegui aprender um instrumento. As poucas coisas que eu fiz que tiveram começo, meio e fim eu posso contar nos dedos. Fiz o curso de inglês até o fim, quando usei aparelho fiz o tratamento certinho e devo ter lido uns 5 livros de cabo a rabo. E só. Não estou dizendo que me orgulho, mas é algo além do meu controle. Eu não consigo andar no compasso de um processo. Algo que possivelmente faz com o que a minha postura defensiva seja confundida com arrogância.
Até hoje eu não sei como eu fiz o curso de inglês até o fim, não sei o que me fez não ter medo e ter paciência. O fato é que eu terminei, me apaixonei pelo negócio e venho dando aulas desde então. Hmmm, será que o meu “respeite o idioma” é o “respeite o instrumento” dele? É possível.
Talvez seja a pressão, invisível ou bem visível, é o que geralmente me trava e me afugenta. Não sei lidar com pressão, eu admito. Especialmente pressão para aprender algo que eu desconheço. Primeiro tentei flauta doce no colégio, decepção. Depois teclado, na terceira aula eu fugi da sala pela janela enquanto o professor me deixou n na sala treinando acorder sozinha. Lembro que eu amava as aulas de canto porque já no primeiro dia o professor disse que eu era afinada, então, o maior problema estava resolvido. Até que um dia ele encrencou com a respiração e, quando eu simplesmente não conseguia fazer o que ele queria, eu parei de ir. Decidi então partir pro violão, oras, tinha tanta gente idiota no colégio que tocava ,por quê eu não haveria de aprender? Confesso que abrir a aula com “cai cai balão” foi um pouco broxante, mas talvez fosse o método. Também foi irritante ele insistir que eu tocasse como um destro e não como canhoto. Voltava pra casa e tocava com o violão de cabeça pra baixo mesmo, era mais fácil do que do jeito destro. Aí ele decidiu então, de certo porque eu desobedeci as ordens dele, que eu devia cantar e tocar junto SEMPRE. Óbvio que isso é mais difícil do que parece e eu desisti. Me deu a impressão que aulas de música sempre seriam esse inferno que primava por perfeição já na primeira aula. E eu me cobrava super porque eu não aprendia nada, porque não chegava à nota alguma em nenhum instrumento. Travei.
Aprender um instrumento e matemática são desafios pessoais que em algum momento voltariam dos mortos para puxar meu pé à noite. Quanto à matemática, um dos prazeres de ser adulto é que você tem autonomia o suficiente pra usar a calculadora pra tudo sem ninguém te julgar. Já o instrumento…
Por alguma razão eu tenho muita vontade de aprender mesmo a tocar um instrumento (não tenho vontade alguma de dominar cálculos em geral), tanto que estou tentando de novo, do meu jeito, o que parece meio difícil de entender pra quem tenta me ensinar. Já sei alguma coisa e, lentamente, aquelas fantasias adolescentes de tocar num palco com uma banda me “picam”, só que eu tenho tentado ver tudo de uma forma mais terapêutica.
E não sei por quê eu pensei no baixo. Lembro de uma orientadora de um projeto de mini-empresa no colégio,que eu adorava e uma vez ela disse que estava aprendendo baixo pra desestressar. Na época acho que eu nem tinha super certeza do que era um baixo até ela comentar. Desde então comecei a reparar, mas não tinha super interesse em aprender. Gosto dessa coisa “coadjuvante porém indispensável” do baixo. Tem músicas que você nem nota que ele está lá, e outras que não existiriam sem ele. O baixo tem algo de diferente, é isso que eu gosto. Ah, e claro, pra facilitar minha vida o namorado também toca, esse foi o empurrão definitivo pra eu querer aprender.
Da mesma forma que exercício pra mim é remédio pra ansiedade, tenho esperança de que o instrumento seja meu remédio para a falta de foco, de organização mental e de memória até. Quero aprender a me concentrar. Gosto de sentar na frente do computador e tocar junto com os Beatles, estar fazendo somente uma coisa, minha mente focada em apenas uma ação. Não que eu esteja me comparando, longe de mim mas, da mesma forma que Einstein e Holmes usavam de instrumentos para focar o raciocínio, eu quero também. Ao menos tentar. Quem sabe são passinhos de formiga em direção a mais uma coisa da qual eu vou com certeza me apaixonar e aprender a respeitar né, superar a arrogância.

Adorei todas suas expeculações, gosto deo jeito que isso parece. Gosto de musica e de desafios… não gosto de pressão igualmente. Mas se voce se sente forçado à fazer algo… realmente deveria apenas pelo praser da conclusão, e tentar a doutrina sem pressão.
Enfim… no mesmo dia que foi publicado (quinta) eu recebi o “chamado divino”, entre anúncios de venda de baixo… um blog, vários comentários de amigos e interesse em compras e vendas e instrução soma-se 20. Algo está ai.
Abraços
Comentário por Felippe — fevereiro 20, 2010 @ 2:14 pm |