Há uma série de coisas que eu preciso abdicar para poder continuar indo ao meu terapeuta, em termos financeiros. Mas são momentos como o de ontem que fazerm valer à pena. E, apesar de eu ter me desapaixonado pela Psicanálise, sempre vou reconhecer seus méritos e o papel na gênese da psicologia clínica. Minha linha é outra, mas bebe muito dessa fonte. Mas enfim… ontem foi um dia de insights.
Pessoas em geral exibem uma certa dificuldade com o novo. Um certo desconforto e um desajeito até. Cada vez que partimos para uma nova aventura existe a grande possibilidade agirmos como crianças curiosas porém inseguras. E é nesse momento de decisão, de ficar ou partir que corremos o risco de ficar com aquilo que a gente conhecer, ou retornar para o que a gente conhece.
Uma vez eu ouvi numa palestra o conceito de zona de conforto. Aquele espaço abstrato que nos colocamos e nos mantemos por questões econômicas (não necessariamente financeira mas de economia de energia, de sentimentos, de investimento emocional). Sair dessa zona implica em fazer esforço, adquirir novas estratégias e dar a cara pra bater. A simples possibilidade de sair dela pode ser o suficiente para retornarmos para a zona e ficarmos bem assim.
Talevez por causa da profissão, eu acho isso extremamente comum quando se trata de relacionamentos amorosos. Um exemplo: Namoramos A e terminamos, começamos com B e, sem perceber, comparamos um com o outro várias vezes “A era muito mais legal”, “não era assim que A fazia…” Mesmo sabendo que havia motivos para terminar com A, que existiam mais coisas ruins que boas em A, o comparamos com B. Ou então assim, terminamos com A, namoramos firme com B – sem comparações – mas, assim que você e B terminam, você não pensa em desbravar novos mundos mas, voltar com A. Retornar àquilo que já se conhece, antes o incerto do que o duvidoso.
A mesma dinâmica com casais disfuncionais. O relacionamento é péssimo, eu penso em terminar, eu ensaio diálogos, me preparo mas… entro numa espécie de pânico mediante a possibilidade de não encontrar mais ninguém, de ter trabalho demais em começar um novo relacionamento (aquela economia de energia que já citei) ou que não vai mais dar certo com ninguém.. ou que vocês já estão juntos há tanto tempo que nem vale mais à pena terminar e aí, você retorna ao mesmo lugar em que estava. Infeliz, instatisfeito, insípido e inconsolável pois não vê outra saída a não ser ficar com o que se conhece. A sensação de impotência faz retornar àquilo que você já aprendeu a lidar, a suportar… e assim grande parte de nós segue, sentindo prazer no desprazer como diria a Psicanálise. Curtindo o gosto azedo do retorno
* Contribuição para o Blogs Sintonizados, tema da vez: “Retorno”
Compreeendo, acho interessante essa “zona de conforto” e como se comportar à partir do novo. Em minhas concepções sei que é possivel relevar e se esforçar, e sou adépto do gaste bem a energia numa coisa para que ela fique bem feita e da primeira vez. Acho que é em parte uma visão até “captalista feroz” (gaste apenas o que for nescesário e junte os lúcros) mas enfim… energéticamente falando, “o novo” gera um desgaste sim, porém sem medos, pode significar imaturidade tendo em vista que voce não sabe “aonde está pisando” e oque pode fazer.
Sobre relacionamentos… A e B, natural que exista comparação, mas não acho que isso deva transparecer ou ser mérito de inseguranças dentro do relacionamento. Acho abomnável quando voce fala algo sobre “passado”, quando na verdade deve se preocupar com o futuro.
Comentário por Felippe — março 3, 2010 @ 3:34 pm |
Sim, a zona de conforto. Sou o rei dela. Senhor, mestre e soberano. o/
Comentário por Gabriel — março 3, 2010 @ 4:17 pm |
O relacionamento é péssimo, eu penso em terminar, eu ensaio diálogos, me preparo mas… entro numa espécie de pânico mediante a possibilidade de não encontrar mais ninguém, de ter trabalho demais em começar um novo relacionamento (aquela economia de energia que já citei) ou que não vai mais dar certo com ninguém.. ou que vocês já estão juntos há tanto tempo que nem vale mais à pena terminar. [2]
Comentário por Georgia Martins — março 3, 2010 @ 4:48 pm |
Obrigada pelo texto logo hoje. Zona de Conforto. Profissionalmente acho que ainda é mais complicado do que em termos de relacionamento.
Como sair de um trabalho que te faz infeliz mas que te remunera suficientemente bem? E o medo do desemprego? De mudar tudo? De não conseguir se estabilizar?
Assustador. Por isso preferimos ficar com os problemas conhecidos do que arranjar novos.
Parabéns pelo post.
Comentário por brughiorzi — março 3, 2010 @ 6:23 pm |