Essa semana tive uma conversa, daquelas que já tive várias vezes antes mas não tinha prestado bem atenção no que eu mesma dizia e nem no que o outro me dizia. Fiquei pensando na sociabilidade da coisa. Pessoas são sociais por natureza, não vou deixar as obviedades à parte. Mas acho que as vezes a gente pensa que precisa mais de algumas coisas do que realmente é o caso. Isso é comum em todas as redes socias que a gente circula, o que muda é o quanto você se importa em mantê-las.
Digo isso porque é clássico encontrar alguém se questionando: ‘por quê ele nao liga/ligou?”, “se ele/ela tem algo pra me dizer, que me diga na cara, não mande recado..”, “por quê não atende quando eu ligo?”, “pra quê mentir? É só me dizer o que tá acontecendo”, “se for pra terminar, pelo menos me fala, vamos conversar..”
Diante destes exemplos empíricos báásicos existe uma única verdade óbvia e absoluta que nosso cérebro já é craque em driblar e ignorar: ele/ela claramente (já) não está (mais) tão afim de fazer qualquer coisa com você. Todas essas perguntas ali em cima são respondidas com o simples silêncio e aparente indiferença. Exemplos:
Por quê ele/ela não ligou?: Porque não quis, porque não lembrou, porque não tem vontade, porque perdeu o celular.. mas, basicamente não quis. Sério, todo mundo que quer muito fazer algo, dá um jeito.
Se ele/ela tem algo pra me dizer, me diz na cara, não manda recado que diferença faz, se foi na cara ou pelas costas? O fato é que algo foi dito e faz diferença. O investimento emocional que a gente deposita no outro é que define a nossa interpretação das coisas. Existem, porém, várias possibilidades.. se o recado foi enviado, pode ser que o mensageiro agiu de má fé. Pode ser que, numa conversa cara a cara, a pessoa negue tudo e rebole pra sair dessa cheirando à rosas. Isso e apenas isso deveria ser o suficiente pra convencer alguém de que tal pessoa não é bem o que parece, ou o que a gente faz parecer. A última opção é querer tirar satisfação, que deveria ser uma vez só. O pior que pode acontecer é você descobrir o que não queria – que era verdade afinal – sair com cara de tacho e ficar ruminando, tentando entender como isso tudo aconteceu.
Por quê não atende quando eu ligo? Porque não quer mais falar com você. (claro, tudo muda dependendo do grau de insistência nos telefonemas).
Pra quê mentir? É só me dizer o que tá acontecendo.: Bom, isso não é bem verdade, né? Se o cara chega e diz q não quer mais ficar com você porquê simplesmente não tem mais vontade, vai ser o fim do mundo e, mais interessante ainda, existe uma tendência humana à ignorar respostas simples. Logo, uma resposta dessas gera insistência e desconforto e aquele abismo de oportunidades pra fazer e dizer bobagem. A verdade é que tanto a mentira quanto uma resposta sincera vão ter o mesmo valor afinal, tudo o que importa é que você não quer que acabe e pronto.
Se for pra terminar, me fala de uma vez, vamos conversar..: Conversar pra quê? Se já havia um clima estranho e a pessoa sumiu há uma ou duas semanas… o que mais precisa ser dito? Conversa de término de namoro só é “bom” pra quem não quer sair do relacionamento. Quem quer sair, quer só isso e pronto. A outra parte já prepara um discurso todo, feito pra rebater qualquer argumento que o outro tenha pra terminar.
Acho que é a sociabilidade que nos impede de superar essas rupturas com mais lógica. Digo, quanto menos apreço/afinidade/investimento você tiver por uma pessoa, mais fácil de romper com ela e selecionar o que é útil e inútil pra nós mesmos, digo, eu não fico magoada se tal vendedora de uma loja não quiser me atender, não vou lá 15 minutos depois perguntar pra ela o que ela tem contra mim. Agora, acho que é preciso investir e insistir no que vale a pena, mais importante, insitir até um certo limite, que fica meio longe do limite entre a humilhação e o respeito próprio, diga-se de passagem. Como saber o limite? Se você não viu, com certeza pessoas vão te contar e aí é hora de procurar ajuda. Insistência com responsabilidade é saber que fez o que pôde por quem valia à pena naquele momento e ponderar, sempre. Acho que com o tempo fica mais fácil entender que nós somos felizes mesmo se for por nossa própria causa e não pela atenção que o outro deu.

